Equipamento desenvolvido pelo IPT está instalado na Comunidade São Remo, localizada na zona oeste da capital paulista
Como parte das ações do Programa de Requalificação de Assentamentos Urbanos Precários (AUPs) coordenado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), foi desenvolvido e instalado um protótipo eletrônico para monitoramento ambiental na Comunidade São Remo, localizada na zona oeste da cidade de São Paulo, ao lado da Universidade de São Paulo.

A iniciativa integra ações voltadas à educação climática, ciência cidadã e uso de tecnologias digitais para apoiar comunidades urbanas vulneráveis. A Comunidade São Remo foi escolhida pela proximidade territorial com o IPT e por contar, também, com um plano de ação físico-territorial desenvolvido pela FAU USP, com quem o IPT tem um termo de cooperação técnico-científica.
O projeto é coordenado pela pesquisadora Ros Mari Zenha, da Unidade de Habitação e Edificações do IPT, e conta com a participação do pesquisador Oswaldo Sanchez Junior, da Unidade de Energia. A concepção e o desenvolvimento do protótipo eletrônico, bem como sua integração com a plataforma digital de dados, são conduzidos por Matheus Jacon Pereira, gerente da Seção de Internet das Coisas, Transportes e Engenharia Conectada, da Unidade de Tecnologias Digitais do IPT.
“Este projeto, inserido na vertente de políticas públicas do IPT, tem por finalidade disponibilizar o suporte tecnológico do Instituto para a promoção da inclusão social e a sustentabilidade ambiental em AUPs na cidade de São Paulo, em uma visão que privilegia a resiliência e a educação para o clima nessas comunidades”, completa Zenha.
ESTAÇÃO AMBIENTAL BASEADA EM INTERNET DAS COISAS – O equipamento desenvolvido pelo IPT funciona como uma estação de monitoramento ambiental baseada em Internet das Coisas (IoT). O sistema integra sensores capazes de medir diferentes variáveis climáticas relevantes para a compreensão das condições ambientais locais, incluindo temperatura do ar; umidade relativa; velocidade do vento e precipitações (chuva).
Os sensores são conectados a um sistema embarcado baseado em microcontrolador ESP32, integrado a uma placa eletrônica personalizada desenvolvida pela equipe do IPT. A proposta foi desenvolver um sistema robusto, confiável e de baixo custo, permitindo que o modelo possa ser replicado em outros territórios ou contextos urbanos.
O protótipo atualmente é alimentado pela rede elétrica do prédio onde foi instalado, no espaço do Projeto Alavanca, organização parceira que atua com educação e desenvolvimento social na Comunidade São Remo. A arquitetura do sistema foi concebida para permitir diferentes configurações energéticas, incluindo versões alimentadas por baterias ou painéis solares, dependendo das condições de implantação.
INTEGRAÇÃO E INTEROPERABILIDADE DE SENSORES URBANOS – Um dos principais diferenciais tecnológicos da iniciativa é a integração do protótipo com a plataforma IoT Ibirapitanga, desenvolvida pela Seção de Internet das Coisas, Transportes e Engenharia Conectada do IPT.
A plataforma foi concebida para atuar como um ambiente digital capaz de integrar sensores urbanos heterogêneos e promover interoperabilidade entre diferentes tecnologias de conectividade e dispositivos IoT.
Os dados coletados pelo protótipo instalado na São Remo são transmitidos por conexão Wi-Fi para a plataforma, que realiza o armazenamento, processamento e visualização das informações. Além do Wi-Fi utilizado neste piloto, a arquitetura da Ibirapitanga permite a integração de dispositivos que utilizam diferentes tecnologias de comunicação, como 5G, LoRa, Zigbee e outras redes utilizadas em aplicações de Internet das Coisas.
Essa flexibilidade permite que sensores com diferentes arquiteturas e protocolos possam ser integrados em um mesmo ambiente digital, favorecendo a criação de infraestruturas urbanas interoperáveis de monitoramento ambiental.
A plataforma também oferece diversas funcionalidades para gestão e análise dos dados coletados, entre elas monitoramento em tempo real; dashboards de visualização de dados; armazenamento histórico das medições; geração de alertas e eventos e integração com outros sistemas por meio de APIs.
Segundo Jacon, responsável pela arquitetura do sistema e integração com a plataforma, a proposta da Ibirapitanga é justamente permitir que diferentes sensores e tecnologias possam operar de forma integrada: “A plataforma foi concebida para receber dados de diferentes sensores e diferentes tecnologias de conectividade. Ela funciona como um ambiente de integração e interoperabilidade, permitindo construir redes de monitoramento urbano de forma flexível e escalável.”
DADOS ABERTOS E CIÊNCIA CIDADÃ – Outro aspecto importante do projeto é a disponibilização dos dados para a própria comunidade: as informações coletadas pelos sensores estarão acessíveis e serão utilizadas pelo Projeto Alavanca em atividades educacionais voltadas a crianças e jovens da região.
Essa abordagem se conecta ao conceito de ciência cidadã, no qual cidadãos e organizações locais participam da produção e interpretação de dados científicos. Ao acompanhar informações ambientais do próprio território, estudantes e moradores podem compreender melhor fenômenos como variações climáticas, ondas de calor e eventos extremos.
“Esta iniciativa, que integra tecnologia, gestão pública e participação social, tem por foco a resiliência urbana. Vamos obter dados para embasar políticas públicas que orientem intervenções no território da comunidade e a melhoria das condições das moradias com base nas mudanças climáticas e que sirvam de instrumento de apoio a atividades e ações pedagógicas nas escolas do entorno”, finaliza a pesquisadora do IPT.