Especialistas discutem impactos do ruído na saúde e estratégias para regulação e monitoramento urbano

Na segunda-feira, 27 de abril, o Plenário 1º de Maio da Câmara Municipal de São Paulo sediou a 4ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação Sonora. Realizado na semana do Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído (INAD), o encontro reuniu especialistas, autoridades públicas, representantes da sociedade civil e convidados nacionais e internacionais para discutir os impactos do ruído na saúde e no bem-estar da população, além de apresentar soluções de monitoramento e inovação e debater o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao controle do ruído urbano.
O evento contou com a participação de pesquisadores de referência na área, como Gonzalo Vecina, ex-presidente da Anvisa, e Francesco Aletta, da University College London. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) esteve representado pelo pesquisador Marcelo Aquilino, da unidade Habitação e Edificações, que integrou a mesa de debates. Entre os temas discutidos, destacou-se o Projeto de Lei nº 123/2026, que propõe a instituição da política municipal de despoluição sonora na capital paulista.
A crescente urbanização intensifica desafios relacionados à qualidade de vida nas cidades. “Hoje, cerca de 60% da população mundial vive em áreas urbanas, podendo chegar a 68% até 2050, segundo dados da ONU. Esse cenário amplia o potencial de problemas que impactam diretamente a saúde das pessoas, como a poluição sonora”, afirma a pesquisadora Ros Mari Zenha, da unidade Habitação e Edificações do IPT.
Segundo Zenha, o ruído acompanha o processo de concentração populacional nos centros urbanos, mas a expectativa da população é viver em ambientes com níveis mínimos de incômodo sonoro. “É fundamental ampliar a atenção às implicações sociais e ambientais da poluição sonora e aos seus efeitos na saúde e no bem-estar. O tema já vem sendo tratado como um risco crescente, com potencial de se tornar um problema de escala global”, destaca.
A exposição contínua ao ruído está associada a diversos impactos negativos. De acordo com a pesquisadora, trata-se atualmente da terceira maior causa de reclamações em ambientes urbanos, afetando a dinâmica social e a qualidade de vida. “Há amplo conhecimento científico sobre os efeitos do ruído na saúde, tanto em nível individual quanto coletivo”, ressalta.
Com atuação consolidada no tema desde a década de 1970, o IPT contribui de forma estruturante para o enfrentamento da poluição sonora no Brasil. Por meio do Laboratório de Conforto Ambiental e Acústica, o Instituto desenvolve estudos, participa de fóruns técnicos e colabora com a sociedade e o poder público na formulação de políticas e instrumentos regulatórios. “Os conhecimentos gerados pelo IPT têm subsidiado a elaboração de políticas públicas e projetos de lei em diferentes esferas”, conclui Zenha.