IPT sedia encontro dedicado à prevenção e mitigação de incidentes e redução de riscos em ambientes industriais com poeiras combustíveis
Explosão é uma palavra que denota apreensão. Imediatamente vêm à mente imagens de catástrofe e destruição. Não é para menos, explosões ocorrem em milissegundos. Um lapso de tempo menor do que um piscar de olhos. São capazes de gerar fortes ondas de pressão, com potencial destrutivo que pode atingir instalações, ambientes inteiros e pessoas.
Assim explica este fenômeno, em linhas gerais, o pesquisador Ricardo Calça, do Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões do IPT. Foi como chamou as atenções para o ‘6º Summit PCRS: Poeiras Combustíveis, Riscos e Soluções” que começou ontem no IPT e termina hoje, 11 de março.
Trata-se do maior evento da América Latina dedicado à prevenção e mitigação de incidentes e redução de riscos em ambientes industriais com poeiras combustíveis. O ‘Summit PCRS’, promovido pelo Instituto PCRS – Poeiras Combustíveis, Riscos e Soluções, com apoio do IPT, é um movimento, um chamado à ação, em que a indústria deixa de reagir passando a prevenir . O conhecimento salva vidas. Mais do que um evento técnico, o Summit é um espaço de construção coletiva.
A escolha do IPT como sede do ‘6º Summit’ não é apenas simbólica, mas também estratégica. “Com mais de 125 anos de história dedicada à ciência aplicada e inovação tecnológica, o IPT abriga o laboratório e, entre as divisões que integram esta unidade, encontra-se o Laboratório para Testes de Poeiras Combustíveis. É o único na América Latina que, desde 2013, oferece capacitações laboratoriais na área de segurança a explosões em processos industriais, armazenamento e transporte”, pontuou o pesquisador.
Segundo Calça, para que ocorra explosão em substâncias na forma de pós, é necessário reunir algumas condições em um mesmo ambiente: pó combustível, pó em suspensão no ar (poeira), ar, fonte de ignição e confinamento.
“Contamos com equipamentos de última geração capazes de avaliar o potencial de explosividade de materiais, misturas e produtos diversos, desde fármacos, açúcar e leite em pó, até carvão, amido de milho, pó de madeira, celulose e poeiras metálicas. Desde a implantação do laboratório, os dados gerados permitem a definição das medidas de prevenção adequadas aos desvios prováveis dos processos e o dimensionamento dos dispositivos de proteção adequados às consequências que podem comprometer ativos, ambientes e vidas.”
O risco de explosão de pós também está presente nas residências, restaurantes, cozinhas industriais, pois nesses locais existem chamas de fogões ou superfícies aquecidas além dos equipamentos elétricos. “Muitos dos ingredientes manuseados nos preparos dos alimentos, quando em suspensão, podem explodir. Exemplos de alguns ingredientes que explodem: açúcar, amido de milho, farinha de trigo, farinha de pão, chocolate em pó ou achocolatados, leite em pó, café em pó, gelatina em pó, misturas pré-prontas para o preparo de alimentos, e muitos outros”, completou o pesquisador.