
O campo de ensaios é voltado à avaliação de sistemas que incorporam materiais combustíveis, em conformidade com a ABNT NBR 16951. O ensaio permite avaliar as características de reação ao fogo desses sistemas, sob a ótica da sua capacidade de propagar o incêndio entre pavimentos.
Para o pesquisador Antonio Fernando Berto, a avaliação da reação ao fogo em fachadas é um aspecto crítico da segurança contra incêndio nas edificações: “Incêndios em edifícios ocorridos no Brasil, e em diversos outros países, mostram que a propagação rápida do fogo pela sua envoltória pode agravar significativamente o desenvolvimento e os desdobramentos das chamas, comprometendo rotas de fuga, dificultando o combate pelas equipes de emergência e ampliando os danos humanos e materiais. Esse risco de propagação do incêndio reforça a necessidade de ensaios em escala adequada, capazes de representar o comportamento real dos sistemas expostos ao fogo”.
Essa nova capacitação laboratorial complementa, do ponto de vista da segurança contra incêndio, o conjunto de avaliações já realizadas nesta unidade para sistemas de fachadas. Incluem desempenho quanto à segurança estrutural e ao uso, durabilidade, estanqueidade, conforto térmico e acústico. Com isso, o IPT amplia sua abordagem integrada de avaliação de desempenho de fachadas.
A ser destacado neste novo campo de ensaio, ressalta Berto, é a possibilidade de realização de dois ensaios simultâneos, do tipo ‘side by side’. “Além de avaliações de sistemas de fachadas isoladamente, temos a possibilidade de fazer comparações diretas entre diferentes soluções. Nesses ensaios, as medições de temperatura em diferentes níveis do corpo de prova, cuja altura é superior a nove metros, definem a classificação do sistema de fachada. Mas a possibilidade da avaliação visual comparativa, ao longo do período de ensaio, pode fornecer informações importantes para o desenvolvimento do sistema, de modo a reduzir a desagregação dos componentes, a queda de partículas em chamas e a progressão da queima dos materiais combustíveis das soluções”.
O avanço da normalização, aliado à infraestrutura laboratorial qualificada, é fundamental para apoiar a evolução dos sistemas construtivos, fomentar a inovação com segurança e elevar o nível de proteção da sociedade frente aos riscos de incêndio. Seguimos comprometidos com o desenvolvimento tecnológico, a produção de conhecimento aplicado e o fortalecimento da segurança contra incêndio em todo o Brasil”, pontuou o pesquisador.