Da Copa do Mundo à inovação industrial: Pulsar Expo IPT apresenta soluções desenvolvidas pelo Instituto

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Feira realizada em São José dos Campos reúne tecnologias aplicadas à infraestrutura, saúde, sustentabilidade, materiais avançados e transformação digital

Quando Fortaleza recebeu jogos da Copa do Mundo de 2014, poucos torcedores imaginavam que a cobertura e a ventilação do Estádio Castelão haviam passado por ensaios em túnel de vento realizados pelo IPT. Os estudos permitiram avaliar os efeitos dos ventos sobre a estrutura, contribuíram para o conforto térmico do público e ajudaram a otimizar o projeto da arena. Mais de uma década depois, essa e outras tecnologias desenvolvidas pelo Instituto podem ser conhecidas de perto na Pulsar Expo IPT 2026, realizada nesta terça-feira (23), no Laboratório de Estruturas Leves (LEL), no Parque de Inovação Tecnológica (PIT), em São José dos Campos.

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A feira reúne soluções voltadas à infraestrutura, mobilidade, saúde, materiais avançados, biotecnologia e transformação digital, aproximando empresas, pesquisadores e parceiros do ecossistema de inovação e demonstrando como a pesquisa aplicada se transforma em benefícios concretos para a sociedade.

Da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia à Pulsar Expo IPT

O diretor de Operações do IPT, Adriano Marim, relembrou a origem da feira.

“A ideia nasceu a partir da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2024. Algumas unidades trouxeram clientes para apresentar suas soluções e promover a integração entre as pessoas. No ano seguinte, nossos gerentes de apoio aos negócios propuseram o desafio de organizar a primeira feira de negócios do IPT. Assim nasceu a Pulsar Expo IPT, realizada com grande sucesso. Em 2026 surgiu o desafio de repetir a experiência. Como o ano eleitoral reduziu significativamente os prazos, optamos por aproveitar parte da estrutura da primeira edição e realizar a feira em uma unidade do Instituto. A escolha foi o LEL, em São José dos Campos. Nos próximos anos, a expectativa é alternar as edições da Pulsar entre a sede da capital e outras unidades do IPT”, afirmou.

Braço estratégico também beneficia empresas

A superintendente da Fundação de Apoio ao IPT (FIPT), Aline Rizzo, comemorou a participação da entidade na feira.

“A FIPT é um braço estratégico do IPT, com expertise em impulsionar projetos e ecossistemas de inovação. Há mais de 23 anos apoiamos o Instituto e também beneficiamos empresas parceiras, oferecendo agilidade e segurança desde a execução dos projetos até as negociações de propriedade intelectual, área em que a legislação paulista é bastante favorável”, destacou.

Aqui o pequeno também tem vez

Representando as Unidades Embrapii do IPT, o responsável comercial Yuri Tukoff apresentou os resultados das áreas de Materiais de Alto Desempenho e de Processos Biotecnológicos.

“Nas duas áreas já acumulamos cerca de R$ 300 milhões em mais de 120 projetos contratados. A Embrapii mantém parcerias com o BNDES e o Sebrae, ampliando o alcance do IPT junto às pequenas e médias empresas. Não fazemos distinção pelo porte: atendemos regularmente desde microempresas até grandes corporações. Atuamos fortemente com fomento e em projetos que percorrem toda a jornada, do laboratório ao mercado”, explicou.

Entre os exemplos citados estão iniciativas de reciclagem de lâmpadas LED, nanotecnologia aplicada a cimento dentário atualmente exportado para mais de 80 países e cosméticos produzidos a partir de óleos essenciais da Amazônia.

Segundo Tukoff, esse modelo gera ganhos tanto para as empresas, que aumentam sua competitividade, quanto para o IPT, que amplia sua carteira de projetos. Nesse contexto, o Núcleo IPT Amazônia também participa da Pulsar Expo IPT, prospectando competências do Instituto alinhadas a desafios e oportunidades da região.

Projetos nano, ganhos macro

O líder técnico do Laboratório de Biotecnologia Industrial, Sérgio Fernandes, apresentou as quatro áreas que compõem a unidade de Bionanomanufatura do IPT.

“As áreas atendem a uma ampla gama de segmentos empresariais. A Biotecnologia atua nos setores de saúde, agricultura, indústria, tecnologias de fronteira e farmacêutico. A área de Tecnologia de Partículas e Nano trabalha com refinamento de materiais, revestimentos e incorporação de tecnologia em medicamentos. A Micromanufatura atua em conjunto com as demais áreas na miniaturização e no aprimoramento de processos industriais. Já a área de Têxteis e EPIs engloba desde têxteis tradicionais até reciclagem de fibras, contribuindo para a economia circular e a redução do consumo de matérias-primas”, explicou.

Do medicamento à construção civil

O Núcleo de Tecnologias Avançadas para Bem-Estar e Saúde Aplicados às Ciências da Vida (Nutabes) apresentou estudos envolvendo cannabis medicinal e cânhamo para diferentes aplicações.

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A coordenadora do Nutabes, Helena Gomes, destacou pesquisas voltadas ao desenvolvimento de medicamentos para diversos tratamentos de saúde. Já o pesquisador João Paulo Lacerda apresentou aplicações do cânhamo em materiais para construção civil, têxteis, geração de energia e remediação de solos contaminados, áreas que podem ser exploradas por empresas em parceria com o IPT.

Cada bola tem uma história

O pesquisador Alessandro Santiago, da unidade de Tecnologias Digitais, apresentou quatro estudos que conectam a trajetória do IPT ao universo do futebol.

“Trouxemos os testes da bola Jabulani, da Copa de 2010, estudos dos estádios da Copa de 2014, ensaios com refletores e assentos para torcedores. Testamos em túnel de vento tanto as bolas quanto o Estádio Castelão. Também apresentamos estudos envolvendo os assentos do Allianz Parque e comparações entre sistemas de iluminação LED e convencionais”, explicou.

Outro destaque é a bola oficial da Copa do Mundo de 2026, chamada Trionda, em referência aos três países-sede do torneio e à tradicional “ola” mexicana. Cada tema está representado por um totem na exposição.

“Também integramos a mostra com a história do IPT, criado em 1899, destacando sua trajetória pioneira desde a Cidade Universitária até a atuação atual em São José dos Campos”, completou.

Além da exposição, a unidade de Tecnologias Digitais apresentou uma plataforma open source para veículos autônomos, com protótipo interativo, e soluções como a plataforma Ibirapitanga, baseada em Internet das Coisas (IoT) para recebimento, armazenamento e transmissão de dados.

Entre as aplicações está uma estação instalada na comunidade São Remo, em São Paulo, utilizada para monitoramento climático e riscos ambientais. Outro projeto apresentado foi o Proantar, conjunto de sensores instalados na Antártica para monitorar a contaminação do solo por derramamento de óleo e possíveis correlações com o aumento da temperatura.

Também foi demonstrado o Teclado Helena, solução assistiva que permite o acesso ao computador por pessoas com paralisia cerebral por meio de um aplicativo específico.

Portas abertas para inovar

O gerente de Programas e Inovação do IPT, Alex Vallone, apresentou as frentes de atuação do IPT Open.

“Atualmente trabalhamos em três grandes linhas: Centro de Inovação, Programas de Inovação Aberta e Empreendedorismo Tecnológico e Hubs de Inovação. Avaliamos cada demanda para identificar o modelo mais adequado às necessidades da empresa”, explicou.

Soluções debaixo do mesmo teto

A unidade Habitação e Edificações apresentou sua estrutura composta por quatro laboratórios especializados.

Segundo o pesquisador Marcelo Aquilino, o Laboratório de Conforto Ambiental, Eficiência Energética e Instalações Prediais atua em desempenho térmico e acústico de edificações e ambientes urbanos, certificação de chuveiros e eficiência energética por meio do maior simulador solar da América Latina, utilizado para testes de coletores solares e painéis fotovoltaicos.

O Laboratório de Segurança ao Fogo e Explosões desenvolve estudos sobre reação e resistência ao fogo em elementos construtivos e ambientes, além de prevenção a explosões.

Já o Laboratório de Tecnologia de Desempenho avalia componentes, sistemas e ambientes da construção civil para melhorar o desempenho das edificações. O Laboratório de Materiais e Produtos para Construção pesquisa o uso de resíduos, revestimentos e a caracterização de materiais empregados no setor.

Terras raras e outras soluções materializadas

A unidade Materiais Avançados apresentou na Pulsar Expo IPT amostras de terras raras processadas para aplicações industriais, incluindo um ímã de alta potência desenvolvido pelo IPT.

A pesquisadora Patricia Kaji Yasumura apresentou ainda próteses e órteses destinadas a tecnologias assistivas, produtos de manufatura aditiva (impressão 3D) para implantes médicos, embalagens sustentáveis e uma tinta com grafeno desenvolvida para prevenir processos corrosivos em plataformas offshore e equipamentos industriais.

“Um dos destaques é a tinta licenciada pelo IPT para a Renner, responsável pela produção e comercialização do produto. Trata-se de um exemplo concreto de como a pesquisa aplicada pode gerar inovação e apoiar o setor produtivo”, destacou.

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