Propriedade intelectual impulsiona inovação, negócios e desenvolvimento tecnológico no IPT

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Em seminário da CNI que celebrou os 30 anos da Lei de Propriedade Industrial, diretor-presidente do Instituto destacou a evolução da gestão de ativos tecnológicos e os resultados gerados pela transferência de conhecimento para a sociedade

Anderson BSB jun 2026

A propriedade intelectual tem papel central na transformação do conhecimento científico em soluções capazes de gerar valor para a sociedade, fortalecer a competitividade da indústria e impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país. Essa foi a principal mensagem apresentada pelo diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Anderson Correia, durante o seminário comemorativo dos 30 anos da Lei de Propriedade Industrial, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (3), em Brasília.

Ao apresentar a trajetória do IPT na gestão da inovação e da propriedade intelectual, ele destacou que proteger o conhecimento gerado pela pesquisa aplicada é uma estratégia fundamental para ampliar a transferência de tecnologia, atrair investimentos e acelerar a chegada de soluções ao mercado.

“Propriedade intelectual não é apenas um instrumento de proteção. É uma ferramenta para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico, inovação e benefícios concretos para a sociedade”, afirmou.

Ciência aplicada conectada aos desafios do Brasil

Com 126 anos de história, o IPT atua no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a indústria e para o setor público, mantendo sua vocação de transformar conhecimento científico em aplicações práticas.

Atualmente, o Instituto conta com cerca de mil colaboradores, atende aproximadamente 3 mil clientes por ano e possui receita anual superior a R$ 344 milhões. Mais da metade dessa receita está associada a projetos de inovação tecnológica desenvolvidos em parceria com empresas e organizações públicas.

O diretor-presidente também destacou a expansão das atividades do Instituto, que possui unidades em São Paulo, Manaus e Brasília, além de atuação em áreas estratégicas como bionanomanufatura, cidades e infraestrutura, energia, materiais avançados, tecnologias digitais, metrologia e tecnologias regulatórias.

IPT Open fortalece ecossistema de inovação

Durante a apresentação, Anderson ressaltou o papel do IPT Open, programa que transforma o campus do Instituto em um ambiente de inovação aberta, aproximando pesquisadores, startups, empresas e investidores.

O ecossistema já reúne centros de inovação e desenvolvimento de grandes organizações nacionais e internacionais, como Google, Vale, WEG, Tupy, Cecil e Inteli.

“O IPT Open representa uma nova forma de fazer inovação no Brasil. Reunimos grandes empresas, startups, investidores e pesquisadores em um ambiente capaz de acelerar a transformação do conhecimento em soluções de mercado. É assim que fortalecemos a competitividade da indústria e ampliamos o impacto da ciência aplicada”, afirma Levi Pompermayer Machado, diretor de Ambientes Inovadores e Inteligência de Mercado do IPT.

Entre os destaques está o Centro de Engenharia do Google, que terá capacidade para reunir 400 profissionais dedicados ao desenvolvimento de tecnologias avançadas, incluindo soluções em inteligência artificial.

Uma trajetória pioneira em propriedade intelectual

O IPT possui uma das estruturas mais tradicionais de gestão da propriedade intelectual no país.

A primeira patente do Instituto foi depositada em 1936. Em 1981, foi criado um ambiente dedicado à gestão de ativos intelectuais e, em 1989, teve início a distribuição de royalties aos pesquisadores envolvidos nas tecnologias licenciadas.

Ao longo das últimas décadas, a política institucional evoluiu para estimular a inovação e o empreendedorismo tecnológico. Atualmente, pesquisadores podem participar da criação de empresas derivadas de tecnologias desenvolvidas no Instituto, mantendo vínculo com a instituição.

“A evolução da política de propriedade intelectual do IPT reflete uma visão estratégica de inovação. Hoje, a proteção do conhecimento está diretamente conectada à transferência de tecnologia, à geração de negócios e ao fortalecimento da competitividade industrial. É esse ciclo que permite transformar pesquisa aplicada em desenvolvimento econômico e impacto para a sociedade”, afirma Yuri Tukoff-Guimarães, da área de Inteligência de Mercado do IPT.

Hoje, o IPT possui cerca de 340 patentes ativas, além de 54 programas de computador registrados.

Os resultados também se refletem na geração de receitas provenientes da transferência tecnológica. Na última década, o Instituto arrecadou R$ 5,4 milhões em royalties, valor superior ao registrado nos períodos anteriores. A meta é ampliar significativamente esse resultado nos próximos anos.

Tecnologias que geram valor para a sociedade

A palestra apresentou diversos exemplos de tecnologias desenvolvidas pelo IPT que demonstram o potencial da propriedade intelectual para transformar pesquisa em negócios, novos mercados e soluções de alto impacto.

Entre eles está o projeto de armazenamento de dados em moléculas de DNA (DNA Data Storage), desenvolvido em parceria com a Lenovo. Considerada uma das tecnologias mais promissoras para o futuro dos data centers, a iniciativa já conta com sete patentes depositadas nos Estados Unidos e recebeu investimentos de aproximadamente R$ 98 milhões.

Outro destaque é a planta piloto de reciclagem de baterias de veículos elétricos por hidrometalurgia, resultado da parceria entre IPT, USP, Tupy, FINEP e Embrapii. O projeto permite a recuperação de minerais estratégicos, como lítio, níquel e cobalto, contribuindo para a economia circular e para a cadeia de transição energética.

Também foram apresentados projetos relacionados ao desenvolvimento de nanopartículas funcionalizadas para aplicações industriais e cosméticas, tecnologias baseadas em ativos da biodiversidade amazônica, reciclagem de lâmpadas LED, materiais odontológicos de alto desempenho e sistemas digitais utilizados por governos em programas de transparência e cidadania fiscal.

Entre esses exemplos está a tecnologia que deu origem ao óleo Séve Pimenta Rosa, da Natura, e os sistemas utilizados por programas como Nota Fiscal Paulista, Nota Paraná e Nota Salvador.

Inovação como estratégia de desenvolvimento

Ao encerrar sua participação, Correia destacou que o fortalecimento da propriedade intelectual é um elemento essencial para ampliar a competitividade do Brasil e transformar conhecimento científico em riqueza, empregos qualificados e desenvolvimento sustentável.

“O Brasil possui conhecimento, infraestrutura científica e capacidade tecnológica para liderar soluções em diversas áreas estratégicas. A propriedade intelectual é uma das ferramentas que permitem transformar esse potencial em resultados concretos para a sociedade”, concluiu.

Nota: Os dados históricos e indicadores de propriedade intelectual utilizados nesta matéria foram fornecidos pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do IPT, com apoio de Maisa dos Santos Ramos Garcia, agente de Propriedade Industrial.

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