Visita apresentou iniciativas de fronteira em xenotransplantes e soluções tecnológicas voltadas à inclusão social, resiliência urbana e qualidade de vida

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) recebeu, na terça-feira (2), a visita do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que conheceu projetos estratégicos desenvolvidos pelo Instituto nas áreas de saúde, habitação, tecnologias digitais e desenvolvimento urbano. A agenda foi acompanhada pelo diretor de Operações do IPT, Adriano Marim, e por pesquisadores responsáveis pelas iniciativas apresentadas.
A visita teve início no Núcleo de Tecnologias Avançadas para Bem-estar e Saúde Aplicados às Ciências da Vida (Nutabes), onde Zarattini conheceu as instalações do berçário, do biotério destinado à criação de suínos geneticamente modificados para xenotransplantes e a infraestrutura de suporte aos procedimentos.
Segundo Adriano Marim, o projeto representa um avanço relevante para a medicina brasileira e poderá contribuir para ampliar o acesso a transplantes de órgãos e tecidos.
“O projeto teve origem na Faculdade de Medicina da USP, sob liderança do professor Silvano Raia e com apoio da FAPESP. Seu potencial é enorme para ajudar a reduzir as filas de transplantes de órgãos e tecidos, como córnea, pele, rins e coração. Atualmente, existem apenas três estruturas semelhantes no mundo, localizadas nos Estados Unidos, China e Nova Zelândia. O Brasil passará a integrar esse seleto grupo com uma unidade instalada no IPT”, destacou.
A pesquisadora Sandra Souza ressaltou que a experiência acumulada pelo Instituto em biotecnologia e em ambientes de alta complexidade tecnológica foi determinante para sua participação no projeto.
“A sala limpa operada pelo Nutabes possui padrões de controle superiores aos encontrados em ambientes hospitalares convencionais. Essa infraestrutura é essencial para garantir a segurança biológica e a qualidade dos processos envolvidos na produção dos órgãos destinados aos transplantes”, explicou.

Na sequência, o deputado visitou projetos desenvolvidos pela unidade Habitação e Edificações do IPT voltados ao apoio a políticas públicas e ao desenvolvimento de soluções para desafios urbanos. As apresentações foram conduzidas pela diretora da unidade, Luciana Oliveira, pela pesquisadora Ros Mari Zenha, além dos pesquisadores Oswaldo Sanchez, da unidade Energia, e Matheus Jacon, da unidade Tecnologias Digitais.
Luciana Oliveira apresentou as principais áreas de atuação da unidade, que abrangem edificações, habitação social, sistemas construtivos, segurança contra incêndios e explosões, conforto ambiental e materiais de construção.
Entre os projetos destacados esteve o Programa de Requalificação de Assentamentos Urbanos Precários, que busca promover inclusão social, sustentabilidade e melhoria das condições de vida em comunidades vulneráveis.
“O déficit habitacional brasileiro e os desafios urbanos exigem soluções inovadoras e integradas. Na comunidade São Remo, desenvolvemos um projeto que alia tecnologias digitais, sustentabilidade e inclusão social para enfrentar situações de vulnerabilidade e apoiar a construção de cidades mais resilientes”, afirmou Ros Mari Zenha.
Oswaldo Sanchez destacou que a iniciativa foi concebida para fortalecer o protagonismo das comunidades locais na produção e utilização de informações sobre o próprio território.
“Além da proximidade geográfica, contamos com organizações comunitárias parceiras que apoiam a implantação e a operação das tecnologias. O objetivo é que a população participe ativamente da geração e do uso dos dados”, explicou.
Matheus Jacon apresentou a plataforma tecnológica desenvolvida pelo IPT para monitoramento ambiental em tempo real.
“Criamos uma solução baseada em Internet das Coisas (IoT), de baixo custo e alta confiabilidade, capaz de monitorar indicadores como chuva, temperatura, ruído e nível dos córregos. A plataforma é sem fio, interoperável e poderá ser expandida para outras comunidades em parceria com o poder público”, afirmou.
Ao final da visita, Zarattini destacou a relevância das iniciativas apresentadas e o papel do IPT no desenvolvimento de soluções para desafios estratégicos do País.
“São projetos tecnológicos extremamente importantes e com potencial de gerar benefícios concretos para a sociedade. De um lado, uma iniciativa de ponta na área da saúde, que coloca o Brasil entre os países mais avançados em pesquisas para transplantes. De outro, tecnologias voltadas à melhoria da qualidade de vida da população e ao fortalecimento das comunidades. É um trabalho que demonstra a capacidade da ciência e da inovação de responder a desafios reais do País”, afirmou.