CCD Cidades Resilientes a Inundações desenvolverá gêmeos digitais urbanos e ferramentas para apoiar decisões públicas diante de eventos extremos

Lançado na terça-feira, dia 19 de maio de 2026, e sediado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o CCD Cidades Resilientes a Inundações foi criado, em parceria estratégica com a Fapesp, para integrar pesquisa científica, inovação tecnológica e apoio direto à gestão pública no enfrentamento das inundações urbanas e dos eventos climáticos extremos.
O diretor-presidente do IPT Anderson Correia deu boas-vindas aos participantes e reforçou o papel do Instituto frente aos desafios ambientais e climáticos, com foco no CCD. Ciência aplicada e inovação, integrando soluções baseadas na natureza com tecnologias de ponta, são capazes de tornar cidades mais resilientes e inteligentes.
A iniciativa terá foco inicial na Região Metropolitana de São Paulo e duração prevista de cinco anos. O centro será coordenado por Filipe Antonio Marques Falcetta, pesquisador da unidade Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente do IPT, e contará também com competências técnicas da unidade Tecnologias Digitais do Instituto.
“Este centro nasce com uma ampla rede de cooperação envolvendo secretarias estaduais, companhias públicas, universidades, centros internacionais e empresas privadas ligadas à infraestrutura, mobilidade, recursos hídricos, habitação, tecnologia e planejamento urbano”, afirma Falcetta.
A proposta do CCD é desenvolver conhecimento aplicado à tomada de decisão pública. O centro atuará na produção de dados, modelos e ferramentas capazes de apoiar gestores na prevenção, mitigação e adaptação frente às inundações urbanas.
“Os desafios urbanos atuais são complexos demais para serem tratados de modo fragmentado. Precisamos integrar ciência, tecnologia e instituições para apoiar as melhores decisões e proteger a população”, destaca o pesquisador.

Entre os principais produtos previstos está a criação de gêmeos digitais urbanos: representações digitais dinâmicas do território, conectadas ao mundo real por sensores, bases de dados e modelos computacionais.
Essas plataformas permitirão simular eventos extremos, testar intervenções urbanas, antecipar impactos e apoiar respostas públicas em tempo real, além de contribuir para o planejamento urbano de longo prazo.
“A expectativa é contribuir para a redução de perdas humanas e econômicas, melhorando a eficiência da gestão urbana e fortalecendo a resiliência climática”, explica Falcetta.
As pesquisas serão organizadas em quatro dimensões temáticas: clima, com radar meteorológico, nowcasting e bancos de dados atmosféricos; modelagem hidrodinâmica e preditiva, integrando modelos físicos e inteligência artificial; modelos generativos multimodais para gêmeos digitais urbanos; e redesenho urbano, com foco em infraestrutura verde, soluções baseadas na natureza e planejamento resiliente.
O centro contará ainda com três eixos transversais: capacitação e redes potencializadoras; governança e políticas públicas; e sistemas ciberfísicos, voltados à integração entre sensores, dados e operação em tempo real.
Além das entregas tecnológicas, o CCD prevê formação de profissionais, produção científica, diretrizes normativas, cooperação internacional e estratégias de replicação nacional. A meta é construir capacidades permanentes para que as cidades tomem melhores decisões hoje e estejam mais preparadas para os desafios do futuro.
Entre os parceiros estão a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo, SP Águas, Metrô-SP, CPTM, USP, Unicamp, UFABC, Insper e instituições internacionais.
“Apesar do grande número de instituições parceiras, a proposta é fazer do CCD Cidades Resilientes a Inundações um hub capaz de conectar iniciativas ligadas ao tema e seguir recebendo novas contribuições e parcerias”, conclui Falcetta.