Encontro técnico reuniu especialistas, pesquisadores e empresas para debater inovação, processamento e soberania tecnológica na cadeia de minerais estratégicos
O IPT recebeu, nesta quarta-feira, 14 de maio, o Workshop de Soluções Analíticas: Inovações em Aplicações para Terras Raras e Materiais Avançados, promovido pela Horiba em parceria com a SENS Advanced Mass Spectrometry e o Instituto.
O encontro técnico reuniu pesquisadores, especialistas e profissionais que atuam na caracterização de materiais, terras raras e tecnologias avançadas para discutir tendências, aplicações e soluções analíticas de alto desempenho voltadas aos desafios e oportunidades da cadeia de minerais estratégicos.
Durante o workshop, André Nunis, pesquisador do Laboratório de Processos Metalúrgicos do IPT, apresentou um panorama das reservas globais de terras raras. Atualmente, a China lidera o ranking mundial, com 44 milhões de toneladas métricas — o equivalente a 57,7% das reservas globais. O Brasil ocupa a segunda posição, com 11,4 milhões de toneladas métricas, representando cerca de 15% do total mundial.
Na apresentação, Nunis destacou os principais projetos em operação no país e o papel das instituições de pesquisa brasileiras no desenvolvimento de competências estratégicas em diferentes etapas da cadeia de valor das terras raras.
Entre os destaques apresentados está o MagBras, projeto que conta com participação do IPT e que atua como demonstrador industrial do ciclo completo de produção de ímãs permanentes de terras raras no Brasil. Com investimento de R$ 73 milhões, a iniciativa reúne três Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), quatro unidades do SENAI, 25 empresas e três startups, com previsão de conclusão em 2028.

Representando a Horiba, Igor Carvalho destacou que o Brasil vive um novo momento no setor mineral. Segundo ele, o país avançou da 56ª para a 19ª posição no ranking global de atratividade para investimentos em mineração, refletindo maior confiança internacional e novas oportunidades ligadas aos minerais estratégicos para tecnologia e energia limpa.
“Este avanço representa mais confiança de investidores internacionais, um crescimento em minerais estratégicos para tecnologia e energia limpa e também um ambiente mais seguro para novos projetos”, afirmou.
Carvalho ressaltou ainda que o Brasil passou a ocupar posição estratégica na geopolítica global dos minerais críticos. Para ele, a competitividade brasileira não deve se limitar à extração mineral, mas avançar para etapas de maior valor agregado, com fortalecimento institucional, segurança regulatória e desenvolvimento industrial.

“O alinhamento entre licenciamento, financiamento e estratégia industrial é decisivo. O objetivo é converter investimentos em capacidade produtiva e soberania tecnológica, evitando exportações de baixo valor agregado”, destacou.
Ao abordar os desafios da cadeia de terras raras, Carvalho alertou para o risco de o país permanecer apenas como exportador de minério concentrado, sem dominar as etapas de separação, refino e industrialização — consideradas hoje os principais gargalos nacionais.
“O debate público foca em ‘toneladas’, mas o poder econômico nasce no meio da cadeia. Corremos o risco de exportar concentrado e reimportar tecnologia. Isso seria terceirizar a riqueza”, afirmou.
O workshop reforçou o papel do IPT na articulação entre pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento de cadeias estratégicas para a soberania industrial e tecnológica do país.