Mariangela Hungria e Luciano Moreira são reconhecidos por pesquisas com impacto em segurança alimentar e combate a doenças como a dengue
Dois cientistas brasileiros estão entre as 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo lista divulgada pela revista Time nesta semana. O reconhecimento de Mariangela Hungria, da Embrapa, e Luciano Moreira, do World Mosquito Program, evidencia o papel estratégico da ciência no enfrentamento de desafios que impactam diretamente a sociedade.
Mariangela Hungria aparece na categoria ‘Pioneiros’. Pesquisadora da Embrapa Soja, ela é referência em estudos sobre fixação biológica de nitrogênio, que permitem reduzir o uso de fertilizantes químicos na agricultura. Em 2025, recebeu o World Food Prize, considerado o prêmio mais importante do setor agrícola.

Sua pesquisa demonstra como a ciência pode aumentar a produtividade, reduzir impactos ambientais e fortalecer a segurança alimentar — temas centrais para o desenvolvimento sustentável.
Já Luciano Moreira integra a lista na categoria ‘Inovadores’, com um trabalho voltado ao método Wolbachia. A técnica utiliza uma bactéria natural para impedir que o mosquito Aedes aegypti transmita vírus como dengue, zika e chikungunya, contribuindo para o controle de doenças que seguem sendo um desafio no Brasil.
De acordo com o Ministério da Saúde, o país registrou 227,5 mil casos prováveis de dengue entre janeiro e 11 de abril de 2026. Apesar da redução em relação ao ano anterior, os números ainda exigem soluções inovadoras e de longo prazo.
Para o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, o reconhecimento internacional reforça a capacidade da ciência brasileira de gerar impacto real.

“Quando a ciência brasileira ganha destaque global, fica claro que o país já tem as respostas. O papel de instituições como o IPT é transformar esse conhecimento em soluções concretas, que cheguem de fato à sociedade”, afirma.
Mais do que conquistas individuais, a presença dos dois pesquisadores na lista da Time evidencia que a ciência produzida no Brasil já contribui de forma concreta para resolver problemas globais — da produção de alimentos ao controle de doenças.