Reciclagem de baterias de carros elétricos no IPT acelera a economia circular brasileira

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Iniciativa da Tupy no campus do Instituto marca avanço na cadeia de minerais críticos e reforça o papel do IPT na transição energética


A Tupy com o apoio da Finep iniciou, neste mês de abril, as operações de reciclagem de baterias de íon-lítio no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), conforme noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo na segunda-feira (13). Em fase inicial experimental, a planta tem capacidade estimada de processamento de 400 toneladas por ano, volume equivalente a baterias de aproximadamente mil veículos 100% elétricos.


Com investimentos que já somam R$ 45 milhões, aportados por diferentes parceiros, a iniciativa evidencia o avanço e o interesse crescente por soluções voltadas à reciclagem de baterias e à recuperação de materiais estratégicos. A expectativa é que, com a evolução dessas tecnologias, a produção de baterias seja mais limpa e a cadeia de suprimentos mais diversificada.

O processo adotado pela empresa é baseado em hidrometalurgia flexível, desenvolvido em parceria com o Laboratório de Reciclagem, Tratamento de Resíduos e Extração da USP e com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A escolha dessa rota tecnológica reforça a tendência global de buscar soluções mais eficientes e sustentáveis para o reaproveitamento de metais críticos.

Sandra Moraes


Para a diretora da unidade Materiais Avançados do IPT, Sandra Moraes, a iniciativa representa um avanço relevante na construção de uma cadeia mais sustentável para baterias e minerais críticos no Brasil. “Projetos baseados em rotas hidrometalúrgicas são fundamentais para reduzir a pegada de carbono, aumentar a eficiência no aproveitamento de metais estratégicos e diminuir a dependência de mineração primária”, afirma.

A diretora também destaca a conexão dessa iniciativa com o projeto MagBras, que atua em um elo estratégico da transição energética. “O MagBras estrutura soluções para o processamento e a reciclagem de terras raras, insumos essenciais para a produção de ímãs permanentes utilizados em motores elétricos. Trata-se de uma iniciativa que vai além da pesquisa e contribui para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva completa no país”, explica.


Segundo Moraes, o projeto reúne um consórcio de empresas e instituições de ciência e tecnologia com o objetivo de desenvolver, no Brasil, toda a cadeia de produção de ímãs de terras raras, da mineração ao produto final, incluindo capacidades em escala de demonstração. Outro destaque é a participação da Tupy na REMINERA (Rede de Mineração Urbana e Reciclagem Avançada), iniciativa liderada pelo IPT.
“A REMINERA tem papel estratégico ao integrar empresas, instituições de ciência e tecnologia e parceiros industriais, criando um ambiente colaborativo essencial para acelerar o desenvolvimento tecnológico e sua aplicação em escala”, pontua.
Nesse contexto, o IPT atua como agente estruturante do ecossistema, promovendo a geração de conhecimento, o desenvolvimento de rotas tecnológicas e a articulação entre indústria, academia e governo.


“Essa atuação integrada é o que viabiliza não apenas a inovação, mas sua efetiva transformação em soluções industriais”, acrescenta Moraes.
A convergência entre iniciativas como a operação da Tupy, o MagBras e a REMINERA evidencia um movimento consistente de construção de um ecossistema nacional de inovação em minerais críticos. Um movimento baseado em sustentabilidade, economia circular e desenvolvimento tecnológico, com potencial de reposicionar o Brasil como protagonista na nova economia dos materiais avançados.”

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