Instituto amplia atuação em gestão de riscos e assina novo contrato para apoiar o município de São Sebastião
No dia 14 de abril, a Defesa Civil do Estado de São Paulo celebrou 50 anos de atuação, consolidando-se como uma das principais instituições do país na prevenção e resposta a desastres. Criada na década de 1970, a organização surgiu a partir da necessidade de estruturar ações capazes de antecipar riscos e, quando inevitáveis, reduzir os impactos de eventos extremos sobre a população.
Ao longo dessa trajetória, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) se consolidou como parceiro estratégico da Defesa Civil, contribuindo tanto em atendimentos emergenciais quanto no desenvolvimento de soluções voltadas à gestão pública de riscos. Como parte dessa atuação, foi assinado, durante a cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, contrato para a atualização da carta de suscetibilidade e elaboração da carta geotécnica de aptidão à urbanização do município de São Sebastião.

A agenda também marcou o reconhecimento dessa parceria histórica com a concessão de medalha ao geólogo e pesquisador Marcelo Gramani, destacando a contribuição técnica do IPT ao longo das últimas décadas.
A relação entre o IPT e a Defesa Civil remonta ao final dos anos 1970, com a elaboração da primeira carta geotécnica do Brasil, voltada às regiões de morros de Santos e São Vicente. A partir desse marco, a cooperação avançou com a estruturação do Plano Preventivo da Defesa Civil (PPDC), em 1988, iniciativa pioneira que se tornou referência nacional em gestão de riscos.
Desde então, o Instituto vem ampliando sua atuação com o desenvolvimento de metodologias inovadoras de mapeamento, capacitação técnica de agentes públicos e aprimoramento de protocolos de atendimento emergencial. Essa evolução reflete o papel do IPT como instituição pública que transforma conhecimento científico em soluções aplicadas para a proteção da população, alinhado ao seu propósito de gerar impacto social por meio da ciência.
A partir de 2018, essa atuação foi fortalecida com a incorporação de uma abordagem mais orientada à inovação, ampliando o escopo para o desenvolvimento de ferramentas que aumentam a eficiência dos planos de gestão e gerenciamento de riscos e desastres. Hoje, o suporte tecnológico inclui vistorias técnicas, simulados, oficinas, capacitações e apoio direto em situações críticas.
Os atendimentos emergenciais realizados pelo IPT envolvem uma ampla rede de instituições, como Defesa Civil, Ministério Público de São Paulo, Corpo de Bombeiros, prefeituras e empresas, em São Paulo e em outros estados. As equipes multidisciplinares — formadas por geólogos, engenheiros e geógrafos — atuam diretamente na orientação de resgates, na avaliação de riscos e na definição de medidas para evitar a ampliação de danos e prevenir novas ocorrências.
Um dos exemplos mais recentes dessa atuação foi a resposta ao evento extremo ocorrido em São Sebastião, em fevereiro de 2023, quando chuvas intensas — com acumulados entre 600 e 680 mm em cerca de 10 horas — provocaram escorregamentos, inundações e enxurradas de grande impacto.
Nesse contexto, o trabalho integrado entre IPT, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros foi fundamental para o resgate de vítimas, delimitação de áreas de risco e orientação à população. A atuação técnica também permitiu identificar áreas suscetíveis a novos deslizamentos e implementar medidas de monitoramento, contribuindo para reduzir riscos e proteger vidas.
“Estamos celebrando a parceria com o IPT, que tem um dos melhores times de geotecnia do Brasil, e que tem atuado muito no monitoramento de riscos e na prevenção para a estabilização de encostas. É uma turma que está fazendo a diferença para nós”, afirmou o governador do estado, Tarcisio de Freitas.
Mais do que responder a emergências, essa parceria demonstra como a ciência aplicada pode apoiar políticas públicas e fortalecer a capacidade do Estado de antecipar riscos, proteger territórios e salvar vidas, traduzindo, na prática, o papel do IPT como agente estratégico para o desenvolvimento e a segurança da sociedade brasileira.