Resumo:
O presente capítulo analisa o combate ao tabagismo a partir da articulação entre Economia Comportamental e Economia da Saúde, buscando compreender o fenômeno para além da perspectiva estritamente sanitária. Parte-se da premissa de que o consumo de tabaco envolve falhas de mercado, externalidades negativas e decisões influenciadas por vieses comportamentais, como racionalidade limitada e desconto hiperbólico, o que fragiliza a noção de escolha plenamente informada. Sob a ótica da Economia da Saúde, examinam-se os custos diretos e indiretos associados ao tabagismo, seus impactos orçamentários no Sistema Único de Saúde e os desafios de sustentabilidade fiscal decorrentes de doenças evitáveis relacionadas ao consumo. O capítulo discute ainda instrumentos de política pública, como tributação, regulação, restrições à publicidade, advertências sanitárias e estratégias de arquitetura de escolha, avaliando-os à luz de critérios de eficiência técnica, eficiência alocativa e equidade distributiva. Argumenta-se que políticas integradas, baseadas em evidências e submetidas à avaliação econômica contínua, apresentam elevada relação custo-efetividade e contribuem para a preservação da sustentabilidade do sistema de saúde no médio e longo prazo. Conclui-se que a convergência entre abordagens comportamentais e econômicas fortalece a legitimidade e a racionalidade das políticas de controle do tabaco.
Referência:
VIDMAR, André Di Gonova; MACHADO, Eduardo Luiz. Controle do tabagismo: contribuições da econômica comportamental e da economia da saúde para a formulação de políticas pública. In: DE LIBERAL, Márcia Mello Costa (org.) Saúde em foco: reflexões interdisciplinares. São Paulo: Articulare Ed., 223. v.1, Cap.9, p.105-116.
Acesso ao trabalho publicado no Livro no site: