Bioeconomia têxtil

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Projeto de uso da fibra do curauá e plataforma de introdução de novos materiais sustentáveis na indústria são novos campos de atuação do IPT

O Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) promoveram hoje, 6 de junho, o evento de apresentação dos primeiros resultados do projeto Curauá e o lançamento do GT FLORATEX, plataforma inovativa de desenvolvimento e introdução de novas fibras naturais e materiais sustentáveis na indústria brasileira a fim de contribuir com sua transição para uma economia circular e verde.

O projeto Curauá tem como objetivo o desenvolvimento de novos materiais a partir da fibra do curauá, com foco no mercado têxtil e de moda. O projeto é parte da tese de doutorado da pesquisadora Rayana Santiago de Queiroz, do Laboratório de Química e Manufaturados do IPT e, além da colaboração do CBA, também conta com o apoio da Universidade de São Paulo e do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – SENAI CETIQT.

Amostras de fibras têxteis de curaua
Amostras de fibras têxteis de curaua

O projeto está em fase final, explica a pesquisadora: “Já desenvolvemos alguns protótipos e estamos em fase de avaliação dos mesmos. Do ponto de vista da aplicação têxtil, o maior desafio deste projeto é beneficiar a fibra de modo que ela esteja apta para o processo de fiação, obtendo-se um fio de qualidade e características exclusivas”.

O curauá é uma bromélia amazônica, mais concentrada na Região Norte do Brasil e em países como Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guiana Francesa. Especialmente pela sua resistência mecânica, é uma fibra de grande potencial que não demanda solos com alta fertilidade e tem sido amplamente estudada no Brasil em várias aplicações – uma das principais é na produção de materiais compósitos. Porém, no que diz respeito à aplicação na produção têxtil, especialmente em vestuário, esse projeto é praticamente inédito no Brasil.

“Pretendemos proteger a tecnologia por meio de patente e já podemos afirmar, a partir dos resultados preliminares, que há um grande potencial de aplicação da fibra na produção de fios e tecidos, sendo uma alternativa a outras matérias primas (fibras) de maior impacto ambiental”, completa Queiroz.

PLATAFORMA DE NOVAS FIBRAS – O GT Floratex é uma plataforma inovativa de desenvolvimento e introdução de novas fibras naturais e materiais sustentáveis na indústria brasileira. A ideia de estruturar um grupo de trabalho surgiu do time de pesquisadores que atuam na área têxtil no IPT, a partir da interação com vários agentes, especialmente do setor da moda. 

“Vimos a necessidade de criar um ambiente de troca de conhecimentos, informações e experiências entre vários agentes e elos da cadeia para estruturar e guiar ações conjuntas que viabilizem a aplicação de novas fibras e matérias primas naturais nesse mercado, juntamente com o desenvolvimento de novas cadeias da bioeconomia”, afirma a pesquisadora.

O grupo de trabalho tem a intenção de se reunir periodicamente para discutir pautas e estabelecer metas e diretrizes e também produzir material para disseminação de informações relacionadas especialmente à aplicação da biodiversidade na produção de novos materiais têxteis sustentáveis.

Da pesquisa do projeto de capacitação realizada no IPT, foram identificadas cerca de 170 plantas fibrosas nativas do Brasil, sendo muitas delas com imenso potencial de aplicação na produção de têxteis. “Considerando que o Brasil é a maior biodiversidade do planeta, queremos em conjunto com outros atores potencializar as pesquisas aqui já iniciadas e buscar estratégias para aplicação de novas fibras e matérias primas nativas do Brasil na produção de materiais têxteis, contribuindo para uma indústria têxtil mais sustentável”, completa Queiroz.

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