O seminário "Abordagem socioecológica em intervenções no espaço urbano", realizado por Marluci Menezes, geógrafa, doutora em antropologia e chefe do Núcleo de Ecologia Social do Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC de Portugal realizou-se no dia 22 de abril, no mestrado profissional do IPT, contando com 45 participantes.
Para Menezes, a reabilitação urbana deve ser pensada como fonte de desenvolvimento social e urbano. É necessária uma avaliação dos interesses políticos, econômicos e empresariais e também o investimento na dimensão humana. “A cidade pode ser ‘vendida’ como marca, contanto que sejam avaliados os resultados de outras cidades para que haja criatividade no trabalho”, afirma. A pesquisadora falou da necessidade de trabalhar o local para transformar o global, minimizando os problemas urbanos, oferecendo oportunidades e promovendo a integração de vertentes físicas habitacionais.
Uma iniciativa significativa para Portugal teve início em 2005, quando a Secretaria Nacional de Habitação, por meio do Núcleo de Ecologia, contratou o LNEC. Conhecido como o projeto “velhos guetos novas centralidades”, o plano de intervenção sociourbanístico proporcionou o diagnóstico e requalificação, buscando a melhora das necessidades básicas dos cidadãos. Foram tratados problemas como os de marginalidade, degradação e falta de esgoto na busca por melhor qualidade de vida. O trabalho contemplou bairros de várias cidades portuguesas, experiência que será expandida para outros municípios.
A pesquisadora sugeriu algumas dinâmicas na cidade de São Paulo, como desenvolver a promoção, desenvolvimento, participação e mobilidade social. “A participação social deve estar no processo de implementação da cidade. É trabalhado um ideal que não resolverá todos os problemas, mas será um germe de sucesso para facilitar a criação de boas metodologias de trabalho para a gestão das cidades”, disse. Douglas Barreto, pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do IPT e moderador da palestra, diz ainda que “para mudar a sociedade é necessário que cada um contribua para a nova humanidade sendo um melhor ser urbano”.
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Menezes considerou interessante no IPT o fato de pesquisadores de áreas distintas frequentarem um mesmo ambiente de trabalho e, consequentemente, sua palestra. Eram biólogos, engenheiros e geólogos interagindo. “Há muita interdisciplinaridade no IPT, com potencial para haver mais e melhor”, afirma.
Para encerrar, Menezes cita uma frase do urbanista americano Kevin Lynch “a cidade é feita com arte e configurada para o propósito humano”, para ressaltar a importância do ser humano na melhora do espaço em que vive.
A geógrafa conheceu as instalações do centro tecnológico do ambiente construído, participou de reuniões internas no CETAC, CETAE e Mestrado Profissional. Além disso acompanhou visitas técnicas e ministrou aulas no mestrado. A visita se deu em função do intercâmbio realizado por Barreto que, inscrito no Programa de Desenvolvimento e Capacitação no Exterior, viajou a Portugal para realizar seu estágio de pós-doc no LNEC, onde pode manter contato com vários pesquisadores, entre eles Menezes. A viagem proporcionou a assinatura de convênios e cooperações importantes para o IPT.