Inovação Suécia-Brasil

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Na semana de 23 a 27 de outubro uma comitiva brasileira reunindo profissionais e pesquisadores, ligados a empresas, instituições do governo e institutos de pesquisa científica e tecnológica, participou do Programa de Imersão em Ecossistema de Inovação na Suécia. A representante do IPT foi a gerente da Coordenadoria de Planejamento e Negócios, Flávia Motta, como parte do Programa de Desenvolvimento e Capacitação no Exterior (PDCE) implantado pelo Instituto.

Participaram também do programa representantes do Parque Tecnológico de São José dos Campos; Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; ITA; USP; Fapesp e empresas residentes como Troya e Lace, entre outros.
Visita ao Mjärdevi Science Park, parque tecnológico com cerca de 350 empresas, localizado na cidade de Linköping...
Visita ao Mjärdevi Science Park, parque tecnológico com cerca de 350 empresas, localizado na cidade de Linköping…
O programa, que é promovido pelo Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (Cisb) com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), tem o objetivo de criar oportunidades de negócios e desenvolvimento de projetos cooperados entre organizações dos dois países.

O grupo participou de palestras, workshops e realizou visitas técnicas a universidades, centros de pesquisa e empresas, entre elas a Linköping University, o Mjärdevi Science Park, o KTH Royal Institute of Technology, o Epicenter e a Saab, empresa de defesa e segurança aeroespacial.

O primeiro-ministro sueco Stefan Löfven destacou a excelência do modelo de inovação praticado na região Oeste de seu país, que é o conceito triple-helix: governo-indústria-academia. Envolve instituições como Innovatum, Universidade de West e GKN Aerospace, foco da visita da comitiva brasileira, “a fim de partilhar experiências e olhar para o modelo sueco de pesquisa e inovação”, segundo Löfven.

PARCERIA É A PALAVRA-CHAVE – Segundo Flávia, o Innovatum é um parque tecnológico muito interessante e ativo, localizado numa cidade de 45 mil habitantes, abrigando 141 empresas e 20 startups que buscam criar relações próximas com universidades e institutos. “Eles abrigam o Centro de Treinamento em Produção e possuem um parque de equipamentos para isso, com um grande número de braços robóticos para produção industrial flexível. Além disso, possuem equipamentos de solda, impressora 3D metálica e máquinas para ensaios de desempenho de produtos”, afirma ela. Esse centro – acrescenta Flávia – tem conexão para pesquisa, ensino e treinamento com as universidades da região (Gotemburgo, Chalmers e West) e presta serviço para empresas.

Um dos grandes projetos da Innovatum é denominado Waagon: segundo Flávia, eles receberam uma planta desativada de papel e celulose e estão montando a infraestrutura necessária para o desenvolvimento de produtos baseados em biomassa, com recursos do governo e privado, com o objetivo de levar desenvolvimento econômico e inovação para o local.

“É bastante interessante no sistema sueco de inovação, além da grande aplicação de recursos públicos e privados, a forte parceria entre os atores que trabalham no processo.
...e à fábrica da Saab, que desenvolveu o Gripen, a nova aeronave de caça da Força Aérea Brasileira
…e à fábrica da Saab, que desenvolveu o Gripen, a nova aeronave de caça da Força Aérea Brasileira
Conheci diversos exemplos de empresas concorrentes que se reúnem em um mesmo projeto para desenvolver tecnologias e também de empresas de diferentes cadeias se juntando para desenvolver tecnologias de interesse comum”, afirma Flávia.

Outro ponto ressaltado por ela é a possiblidade de desenvolver tecnologia em conjunto: a parceria Brasil-Suécia para o desenvolvimento do Gripen, que é a nova aeronave de caça da Força Aérea Brasileira (FAB) fabricada pela Saab, abriu canais de comunicação que podem ser aproveitados. “Podemos viabilizar projetos internacionais financiados por parcerias bilaterais. A Vinnova, agência suéca de fomento, lançou um edital e pretende apresentar outros para fortalecer esses laços. Temos um primeiro esforço nesse sentido que é a parceria do Núcleo de Estruturas Leves do IPT com um instituto de pesquisas, o Swerea, para o desenvolvimento de materiais compósitos”, explica Flávia.

Além disso, segundo Flávia, a linguagem do processo de inovação é entendida e permeia os profissionais de empresas dos mais diferentes portes: “Um exemplo é ver como todos compreendem o que é TRL, os seus diferentes níveis e sabem traduzir o que isso significa em termos de tempo para gerar um produto ou processo para o mercado”, afirma ela, referindo-se ao padrão de mensuração empregado para avaliar a maturidade tecnológica de um determinado projeto conhecido como Nível de Maturidade Tecnológica (Technology Readiness Level, ou TRL).

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