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Propriedade intelectual impulsiona inovação, negócios e desenvolvimento tecnológico no IPT

Em seminário da CNI que celebrou os 30 anos da Lei de Propriedade Industrial, diretor-presidente do Instituto destacou a evolução da gestão de ativos tecnológicos e os resultados gerados pela transferência de conhecimento para a sociedade


A propriedade intelectual tem papel central na transformação do conhecimento científico em soluções capazes de gerar valor para a sociedade, fortalecer a competitividade da indústria e impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país. Essa foi a principal mensagem apresentada pelo diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Anderson Correia, durante o seminário comemorativo dos 30 anos da Lei de Propriedade Industrial, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (3), em Brasília.

Ao apresentar a trajetória do IPT na gestão da inovação e da propriedade intelectual, ele destacou que proteger o conhecimento gerado pela pesquisa aplicada é uma estratégia fundamental para ampliar a transferência de tecnologia, atrair investimentos e acelerar a chegada de soluções ao mercado.

“Propriedade intelectual não é apenas um instrumento de proteção. É uma ferramenta para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico, inovação e benefícios concretos para a sociedade”, afirmou.

Ciência aplicada conectada aos desafios do Brasil

Com 126 anos de história, o IPT atua no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a indústria e para o setor público, mantendo sua vocação de transformar conhecimento científico em aplicações práticas.

Atualmente, o Instituto conta com cerca de mil colaboradores, atende aproximadamente 3 mil clientes por ano e possui receita anual superior a R$ 344 milhões. Mais da metade dessa receita está associada a projetos de inovação tecnológica desenvolvidos em parceria com empresas e organizações públicas.

O diretor-presidente também destacou a expansão das atividades do Instituto, que possui unidades em São Paulo, Manaus e Brasília, além de atuação em áreas estratégicas como bionanomanufatura, cidades e infraestrutura, energia, materiais avançados, tecnologias digitais, metrologia e tecnologias regulatórias.

IPT Open fortalece ecossistema de inovação

Durante a apresentação, Anderson ressaltou o papel do IPT Open, programa que transforma o campus do Instituto em um ambiente de inovação aberta, aproximando pesquisadores, startups, empresas e investidores.

O ecossistema já reúne centros de inovação e desenvolvimento de grandes organizações nacionais e internacionais, como Google, Vale, WEG, Tupy, Cecil e Inteli.

“O IPT Open representa uma nova forma de fazer inovação no Brasil. Reunimos grandes empresas, startups, investidores e pesquisadores em um ambiente capaz de acelerar a transformação do conhecimento em soluções de mercado. É assim que fortalecemos a competitividade da indústria e ampliamos o impacto da ciência aplicada”, afirma Levi Pompermayer Machado, diretor de Ambientes Inovadores e Inteligência de Mercado do IPT.

Entre os destaques está o Centro de Engenharia do Google, que terá capacidade para reunir 400 profissionais dedicados ao desenvolvimento de tecnologias avançadas, incluindo soluções em inteligência artificial.

Uma trajetória pioneira em propriedade intelectual

O IPT possui uma das estruturas mais tradicionais de gestão da propriedade intelectual no país. A primeira patente do Instituto foi depositada em 1936. Em 1981, foi criado um ambiente dedicado à gestão de ativos intelectuais e, em 1989, teve início a distribuição de royalties aos pesquisadores envolvidos nas tecnologias licenciadas.

Ao longo das últimas décadas, a política institucional evoluiu para estimular a inovação e o empreendedorismo tecnológico. Atualmente, pesquisadores podem participar da criação de empresas derivadas de tecnologias desenvolvidas no Instituto, mantendo vínculo com a instituição.

“A evolução da política de propriedade intelectual do IPT reflete uma visão estratégica de inovação. Hoje, a proteção do conhecimento está diretamente conectada à transferência de tecnologia, à geração de negócios e ao fortalecimento da competitividade industrial. É esse ciclo que permite transformar pesquisa aplicada em desenvolvimento econômico e impacto para a sociedade”, afirma Yuri Tukoff-Guimarães, da área de Inteligência de Mercado do IPT.

Hoje, o IPT possui cerca de 340 patentes ativas, além de 54 programas de computador registrados.

Os resultados também se refletem na geração de receitas provenientes da transferência tecnológica. Na última década, o Instituto arrecadou R$ 5,4 milhões em royalties, valor superior ao registrado nos períodos anteriores. A meta é ampliar significativamente esse resultado nos próximos anos.

Tecnologias que geram valor para a sociedade

A palestra apresentou diversos exemplos de tecnologias desenvolvidas pelo IPT que demonstram o potencial da propriedade intelectual para transformar pesquisa em negócios, novos mercados e soluções de alto impacto.

Entre eles está o projeto de armazenamento de dados em moléculas de DNA (DNA Data Storage), desenvolvido em parceria com a Lenovo. Considerada uma das tecnologias mais promissoras para o futuro dos data centers, a iniciativa já conta com sete patentes depositadas nos Estados Unidos e recebeu investimentos de aproximadamente R$ 98 milhões.

Outro destaque é a planta piloto de reciclagem de baterias de veículos elétricos por hidrometalurgia, resultado da parceria entre IPT, USP, Tupy, FINEP e Embrapii. O projeto permite a recuperação de minerais estratégicos, como lítio, níquel e cobalto, contribuindo para a economia circular e para a cadeia de transição energética.

Também foram apresentados projetos relacionados ao desenvolvimento de nanopartículas funcionalizadas para aplicações industriais e cosméticas, tecnologias baseadas em ativos da biodiversidade amazônica, reciclagem de lâmpadas LED, materiais odontológicos de alto desempenho e sistemas digitais utilizados por governos em programas de transparência e cidadania fiscal.

Entre esses exemplos está a tecnologia que deu origem aos sistemas utilizados por programas como Nota Fiscal Paulista, Nota Paraná e Nota Salvador.

Inovação como estratégia de desenvolvimento

Ao encerrar sua participação, Correia destacou que o fortalecimento da propriedade intelectual é um elemento essencial para ampliar a competitividade do Brasil e transformar conhecimento científico em riqueza, empregos qualificados e desenvolvimento sustentável.

“O Brasil possui conhecimento, infraestrutura científica e capacidade tecnológica para liderar soluções em diversas áreas estratégicas. A propriedade intelectual é uma das ferramentas que permitem transformar esse potencial em resultados concretos para a sociedade”, concluiu.

Nota: Os dados históricos e indicadores de propriedade intelectual utilizados nesta matéria foram fornecidos pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do IPT, com apoio de Maisa dos Santos Ramos Garcia, agente de Propriedade Industrial.

Joao Antonio IPT

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