Missão Portugal: IPT acompanha experiências internacionais para o desenvolvimento de cidades carbono neutro
Publicado em 30/10/2026
Diário de bordo reúne os principais destaques da missão técnica realizada em Lisboa, com foco em sustentabilidade, políticas públicas e soluções para os desafios climáticos das cidades
Entre os dias 26 e 30 de outubro de 2026, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e representantes de instituições parceiras participaram, em Lisboa, da Missão Portugal – CCD Cidades Carbono Neutro – IEEE Smart Cities.
A iniciativa, realizada em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e com apoio da Fundação de Apoio ao IPT (Fipt), contou com a participação de representantes da Prefeitura de São José dos Campos, da Universidade de São Paulo (USP), da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e da Universidade São Judas Tadeu.
A programação reuniu visitas técnicas, encontros institucionais e atividades de intercâmbio de conhecimento, com o objetivo de conhecer experiências internacionais relacionadas à descarbonização, à sustentabilidade urbana e à articulação de políticas públicas para o enfrentamento das mudanças climáticas.
As atividades contribuem para ampliar as referências técnicas e institucionais do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) Cidades Carbono Neutro, especialmente na construção de soluções aplicáveis à realidade dos municípios brasileiros.
Acompanhe, neste diário de bordo, os principais destaques de cada dia da missão. Navegue pelas abas:
O primeiro dia da Missão Portugal foi dedicado a conhecer experiências portuguesas de popularização da ciência e de mobilização dos municípios para o enfrentamento das mudanças climáticas.
A programação incluiu uma visita técnico-institucional à Ciência Viva, instituição portuguesa dedicada à promoção da cultura científica, e a participação em um evento do Pacto de Autarcas, no qual foi apresentado o Passaporte Climático.
As atividades permitiram conhecer modelos de aproximação entre ciência e sociedade, estratégias de mobilização de governos locais e instrumentos de acompanhamento de compromissos de descarbonização.
Ciência Viva: aproximando o conhecimento científico da sociedade

A visita à Ciência Viva apresentou experiências de educação científica e de formação de multiplicadores locais que podem servir de referência para as iniciativas do CCD Cidades Carbono Neutro.
Entre os aspectos observados estão a utilização de espaços interativos de experimentação, a colaboração entre pesquisadores e educadores e a disponibilização de recursos pedagógicos de acesso aberto.
A instituição também mantém uma rede de centros distribuídos pelo território português, além de clubes locais e parcerias com escolas, ampliando o acesso da população ao conhecimento científico.
As experiências oferecem referências para a disseminação de informações sobre cidades inteligentes, sustentabilidade, descarbonização e resiliência urbana, contribuindo para aproximar a produção científica dos desafios enfrentados pela sociedade.
Políticas públicas e mobilização dos municípios
A participação no evento do Pacto de Autarcas permitiu conhecer iniciativas de articulação entre governos locais para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Um dos destaques foi a apresentação do Passaporte Climático, instrumento relacionado ao acompanhamento de compromissos municipais de ação climática.
A experiência trouxe referências para o desenvolvimento de estratégias de mobilização, capacitação e apoio à formulação de políticas públicas, considerando as características e necessidades de cada território.
A visão dos pesquisadores
Para Liedi Bernucci, pesquisadora responsável pelo CCD Cidades Carbono Neutro, a missão proporciona uma oportunidade de aprendizado sobre diferentes abordagens para os desafios climáticos.
“Vivenciamos temas tão diversos como a valorização da ciência do Ciência Viva e um alinhamento dos municípios frente aos desafios das mudanças climáticas.”
Claudia Teixeira, coordenadora do Núcleo de Sustentabilidade e Baixo Carbono do IPT (Nuscarbon), destacou a importância de tornar o conhecimento científico acessível à população.
“A comunicação não científica é capaz de engajar a sociedade e ajudar na construção da cidadania.”
Heidy Rodriguez Ramos, professora da ESPM e pesquisadora principal do CCD Cidades Carbono Neutro, ressaltou as contribuições das experiências observadas para as frentes de políticas públicas, capacitação, transferência de tecnologia e fortalecimento de redes de colaboração.
“Passamos por experiências que inspiram reflexões sobre educação para a sustentabilidade e sobre formas de apoiar políticas públicas locais, respeitando as características de cada território.”
Já Isabela Ferreira Magalhães, pesquisadora do Nuscarbon, destacou a rede de centros de ciência portugueses e seu potencial para o intercâmbio de conhecimento.
“Ampliam possibilidades de intercâmbio de experiências e conhecimentos relevantes para o desenvolvimento de soluções voltadas à descarbonização e à resiliência das cidades brasileiras.”
As experiências do primeiro dia reforçam a importância de integrar ciência, comunicação e políticas públicas para ampliar a participação da sociedade na construção de cidades mais sustentáveis e preparadas para os desafios climáticos.
Na terça-feira, dia 27, realizou-se o ‘Congresso IEEE Porto’, dando sequência à programação do ‘Missão Portugal – CCD Cidades Carbono Neutro – IEEE Smart Cities’ em Lisboa. Colocou em pauta pesquisa, inovação e cooperação internacional em direção a cidades climaticamente neutras. Também focalizou conexões entre economia circular e ações climáticas, com indicadores para decisões multicritérios sobre tecnologias baixo carbono para resíduos sólidos.
As atividades do dia promoveram o intercâmbio de experiências e conhecimentos sobre governança climática, mobilidade sustentável e gestão de resíduos, contribuindo para ampliar as perspectivas de cooperação internacional e fortalecer as estratégias do ‘CCD Cidades Carbono Neutro’ para a descarbonização e a resiliência urbana.
Na abertura, as apresentações da mesa: Liedi Bernucci, pesquisadora-responsável do ‘CCD Cidades Carbono Neutro’, Alessandro Santiago, Daniel Cordeiro e Paulo Ferrão. Seguiu-se apresentação do professor Ferrão intitulada ‘Governing the Transition to Urban Climate Neutrality: Insights from the Climate-Neutral and Smart Cities Missions’. Abordou os objetivos da Missão Europeia de Cidades Climaticamente Neutras e Inteligentes que busca alcançar, até 2030, a referida neutralidade em pelo menos 100 cidades europeias, transformando-as em referências de inovação para apoiar a neutralidade climática das demais cidades do continente até 2050.
“A iniciativa selecionou 100 cidades da União Europeia e outras 12 de países associados, entre 377 candidaturas.”
Também foi apresentado o ‘Contrato Climático da Cidade’, instrumento construído de modo colaborativo com diferentes setores e níveis de governança, para orientar a transição climática nos municípios, com apoio da plataforma ‘NetZeroCities’. Ferrão também abordou a iniciativa portuguesa ‘Cidades pelo Clima’, que busca acelerar a transição de cidades e regiões portuguesas para a neutralidade climática, promovendo a mobilização de ações baseadas em conhecimento e a articulação entre municípios, regiões, partes interessadas e órgãos públicos.
Experiência brasileira
Na sequência, Liedi Bernucci apresentou o ‘CCD Cidades Carbono Neutro’. Destacou a trilha temática ‘Road Infrastructure and Mobility’ abordando o modelo da quádrupla hélice, que integra instituições de pesquisa, poder público, setor privado e sociedade civil. Focalizou o impacto das mudanças climáticas na mobilidade urbana e na infraestrutura das cidades, reforçando a importância de “soluções que promovam a descarbonização e a resiliência dos sistemas de transporte”.
Na sequência, foram apresentados trabalhos relacionados à neutralidade de carbono, cidades inteligentes, economia circular, monitoramento ambiental e integração de dados climáticos. As apresentações incluíram ‘Carbon Neutrality 2030’, por Hélder Costa; ‘Does Smart City Embrace a Circular Economy?’, por Minji Jeong e Junghee Han; ‘Co-located Traffic and Environmental Sensing Across Three Countries’, por Go Yuasa; e ‘Public Data Integration for Climate-Related Electricity Interruption: a São Paulo Case Study’, por Arlindo Conceição.
Marcelo Manara, secretário de Urbanismo de São José dos Campos, município parceiro do CCD, apresentou a palestra ‘Transformando a Mobilidade Urbana’. Numa linha do tempo mostrou as iniciativas e melhorias implementadas na cidade em prol da agenda climática, destacando a meta de “tornar São José dos Campos o primeiro município brasileiro reconhecido como cidade carbono neutro”.
Letícia Macedo, pesquisadora do Nuscarbon no IPT, apresentou estudos sobre tecnologias para gestão de resíduos e sua contribuição para a agenda climática. Ressaltou o papel do Instituto como instituição-sede do CCD, e o potencial do biodigestor anaeróbico em Bertioga, vinculado à Trilha 4, para tratamento de resíduos orgânicos de escolas públicas. Mostrou a importância de selecionar tecnologias adequadas às realidades municipais, considerando critérios técnicos, econômicos, sociais e climáticos. Abordou estratégias de economia circular para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o desenvolvimento de indicadores para apoiar a tomada de decisão. Como próximos passos, “apontou a validação das alternativas junto aos municípios, a ampliação da colaboração internacional e o desenvolvimento de modelos de parcerias público-privadas baseados em desempenho”.
Para Daniel Cordeiro, da USP, o workshop nos mostrou o estado da prática da descarbonização de cidades na Europa.
“No Brasil e na Ásia – disse ele – com casos detalhados do Porto e de São José dos Campos, além da experiência de Sejong, na Coreia do Sul, ficou claro que as tecnologias de transformação digital são importantes, mas não bastam. A participação cidadã é fundamental, e a descarbonização avança quando se conecta ao dia a dia das pessoas.”



Na quarta-feira, dia 28, realizou-se o ‘Congresso IEEE Porto’, dando sequência à programação do ‘Missão Portugal – CCD Cidades Carbono Neutro – IEEE Smart Cities’ em Lisboa. Colocou em pauta pesquisa, inovação e cooperação internacional em direção a cidades climaticamente neutras. Também focalizou conexões entre economia circular e ações climáticas, com indicadores para decisões multicritérios sobre tecnologias baixo carbono para resíduos sólidos.
Pela manhã a equipe do CCD Cidades Carbono Neutro visitou a Porto Ambiente, empresa ambiental municipal da cidade do Porto fundada em 2017. É responsável pela gestão de resíduos urbanos e pela limpeza do espaço público na cidade. “Fomos recebidos pelos diretores de neutralidade carbónica Hélder Costa, Susana Alves e Ana Rita Barros”, relatou a pesquisadora Isabela Magalhães, do Núcleo de Sustentabilidade e Baixo Carbono do IPT.
Na apresentação, a Porto Ambiente destacou a ambiciosa meta portuense de alcançar a neutralidade carbónica até 2030. Projeta para isso uma redução de 85% nas emissões de carbono até aquele ano, tendo por parâmetro os níveis de 2019. Para tornar-se uma cidade mais sustentável, eficiente e preparada para o futuro, a autarquia enfrenta desafios centrais como o envolvimento dos cidadãos, a priorização de questões ambientais no quotidiano e a comunicação com diferentes públicos.
Uma solução para aproximar as comunidades das iniciativas propostas foi apresentada como projeto piloto, com financiamento da União Europeia, no âmbito da ‘EU Mission: Climate-Neutral and Smart Cities’ e integrado no Grupo 2 do programa ‘Net Zero Cities’. O projeto tem foco numa aplicação digital inovadora, que reúne várias áreas numa única plataforma.
“A ferramenta pode ser utilizada de forma personalizada para acompanhar as necessidades individuais do cidadão, permitindo monitorizar consumos essenciais como água, energia, gestão de resíduos e mobilidade. Além disso, a aplicação promove a consciência sobre os padrões de consumo através de comparação com valores médios de referência, dicas de melhoria e um programa de ‘gamificação’ e recompensas, onde os utilizadores ganham pontos e benefícios por escolhas mais sustentáveis”, pontua Isabela.
À tarde, a programação teve as apresentações dos trabalhos técnicos na conferência, integrando a Trilha 4 do projeto ‘CCD Cidades Carbono Neutro’. Laura Lessa apresentou trabalho intitulado “Emissões de metano em aterros sanitários brasileiros: uma análise baseada em dados do Carbon Mapper“, que estimulou discussões entre os participantes. Na sequência, a pesquisadora Letícia Macedo fez apresentação da “Descarbonização urbana através da gestão circular de resíduos: metas climáticas, impulsionadores de políticas e uma estratégia de digestão anaeróbia no Brasil“, exposição igualmente instigante e estimuladora de novos debates em torno de soluções inovadoras e relevantes para a sustentabilidade no contexto brasileiro. Lessa e Macedo integram a Trilha 4 do CCD Cidades Carbono Neutro.



O ‘Best Paper Award’ foi concedido a um artigo sobre monitoramento urbano apresentado por equipe vinculada ao CCD. O prêmio ‘IEEE Smart Cities Contest Award’ foi para a cidade de São José dos Campos, parceira do CCD, pela iniciativa ‘GeoSanja’, plataforma municipal de dados geoespaciais, planejamento urbano e gestão territorial. Os prêmios foram anunciados durante a cerimônia oficial da conferência, que reuniu pesquisadores e especialistas dedicados ao desenvolvimento de soluções para cidades inteligentes.
Quinta-feira, dia 29 de outubro, realizaram-se atividades do quarto dia do ‘Congresso IEEE Porto’, dando sequência à programação do ‘Missão Portugal – CCD Cidades Carbono Neutro – IEEE Smart Cities’ em Lisboa. Em pauta visita à MaiaAmbiente, Empresa Municipal de Ambiente da Maia. Seguiram-se sessões técnico-científicas no Porto e premiação de trabalhos ao final. Projeto sediado no IPT apresentou pesquisas na ‘IEEE ISC2 2026’ com técnica para conhecer soluções de gestão de resíduos e descarbonização urbana.
O ‘Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) Cidades Carbono Neutro’, sediado no IPT e financiado pela FAPESP, recebeu dois reconhecimentos internacionais durante a 12ª edição da ‘IEEE International Smart Cities Conference (ISC2 2026)’, realizada no Porto, em Portugal. A premiação reforça a visibilidade internacional das pesquisas e iniciativas desenvolvidas pelo CCD e seus parceiros, que buscam contribuir para a descarbonização das cidades, a resiliência urbana e o desenvolvimento de soluções tecnológicas para os desafios climáticos.
Pesquisas brasileiras em destaque
Durante a conferência, pesquisadores vinculados ao CCD apresentaram dois trabalhos científicos. A pesquisadora Cláudia Echevenguá Teixeira, do IPT, apresentou o estudo “Strategies for the Implementation of the CCD Carbon Neutral Cities in Brazil: A Quadruple Helix Approach”, que aborda a estruturação do projeto a partir do modelo da quádrupla hélice, integrando academia, setor privado, governo e sociedade civil. A abordagem busca articular conhecimento científico, inovação tecnológica, políticas públicas e participação social para enfrentar os desafios da transição climática nas cidades.
Também foi apresentado o poster “Low-Carbon Technological Trends for Sustainable Cities: A Foresight Study Based on Patent Databases”, desenvolvido por pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais. O estudo investiga tendências tecnológicas de baixo carbono a partir de bancos de patentes, contribuindo para a identificação de soluções emergentes e oportunidades de inovação para cidades sustentáveis.
Intercâmbio técnico sobre gestão de resíduos
No período da manhã, a equipe do CCD realizou uma visita técnica à MaiaAmbiente, empresa municipal responsável pela gestão de resíduos sólidos urbanos do município da Maia, na região metropolitana do Porto. A visita permitiu conhecer estratégias de gestão integrada de resíduos, iniciativas de incentivo à reciclagem e soluções voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa associadas ao setor.
Entre as experiências apresentadas, destacou-se o modelo tarifário ‘Pay As You Throw (PAYT)’, conhecido como “Pague Conforme Descarta”. O sistema relaciona a cobrança pelo serviço à quantidade de resíduos indiferenciados descartados pelos usuários, incentivando a separação correta dos materiais recicláveis.
A equipe também conheceu o funcionamento dos ecopontos de proximidade, que facilitam a destinação adequada de diferentes tipos de resíduos, e a articulação da MaiaAmbiente com a Lipor, consórcio intermunicipal responsável pelo tratamento e pela valorização dos resíduos de oito municípios da região.
Outro tema abordado foi a valorização dos biorresíduos por meio de tecnologias como a compostagem e a digestão anaeróbia, que podem contribuir para reduzir a destinação de matéria orgânica a aterros e viabilizar o aproveitamento de recursos, como o biogás.
As experiências observadas oferecem referências para a avaliação de soluções que possam ser adaptadas à realidade dos municípios brasileiros parceiros do CCD, considerando suas condições institucionais, regulatórias e de infraestrutura.
Cooperação internacional para cidades de baixo carbono
A participação na IEEE ISC2 2026 e a visita técnica à MaiaAmbiente integram a missão internacional do CCD Cidades Carbono Neutro em Portugal, voltada ao intercâmbio de conhecimentos, à apresentação de pesquisas e à identificação de oportunidades de cooperação técnico-científica.
A missão contribui para aproximar experiências internacionais das pesquisas desenvolvidas no Brasil e fortalecer a articulação entre instituições científicas, governos, empresas e sociedade civil.
Com atuação voltada à descarbonização urbana e à resiliência climática, o CCD Cidades Carbono Neutro busca desenvolver conhecimento e soluções tecnológicas que apoiem a transição para cidades mais sustentáveis.
Ponto de vista
“A visita ao MaiaAmbiente proporcionou o conhecimento de boas práticas de gestão ambiental e sustentabilidade, destacando a integração entre inovação, tecnologia e participação da comunidade. Iniciativas como o sistema tarifário ‘Recicle Mais, Pague Menos’ e a coleta seletiva porta a porta demonstram como soluções inovadoras podem transformar metas ambientais em benefícios concretos para a população, contribuindo para cidades mais sustentáveis e resilientes”, pontuou a professora Cláudia Knese, da Universidade São Judas.


Sexta-feira, dia 30 de outubro, foi o último dia de atividades dando sequência à programação do ‘Missão Portugal – CCD Cidades Carbono Neutro – IEEE Smart Cities’ em Lisboa. Na programação do dia, visita às instalações da empresa responsável por projetos que envolvem sustentabilidade urbana, seguindo-se a apresentação de trabalhos técnico-científicos com duas contribuições do IPT.
Como parte da missão internacional do CCD Cidades Carbono Neutro, pesquisadores e integrantes da equipe do projeto realizaram uma visita à unidade portuguesa da Mota-Engil, no Porto, em Portugal. A atividade proporcionou o contato com uma iniciativa de revitalização urbana que busca dar novos usos a edificações existentes, conciliando a preservação do patrimônio arquitetônico com a criação de espaços destinados à cultura, à arte e à realização de eventos.
“A visita foi feita nas instalações de um antigo matadouro, que passa por um processo de requalificação por meio do projeto MODU (Matadouro Outro Destino Urbano). A proposta prevê a transformação do complexo em um espaço multifuncional, preservando grande parte das estruturas existentes e adaptando-as a novas atividades urbanas”, informou a pesquisadora Isabela Magalhães do Nuscarbon.
Durante o percurso, a equipe conheceu as intervenções arquitetônicas e as soluções adotadas para recuperar as edificações. Segundo a apresentação do projeto, apenas uma das construções do complexo, associada ao ‘Center for the Future of Cities’, foi concebida integralmente como uma nova edificação. As demais intervenções priorizam a revitalização das estruturas preexistentes.
Mesmo com as obras em andamento, o espaço já desperta o interesse de visitantes pela arquitetura e pela proposta de transformação do local. O complexo também recebe eventos e exposições artísticas, demonstrando seu potencial para ampliar as possibilidades de uso do patrimônio construído e fortalecer a relação entre os espaços urbanos e a população.
A equipe do CCD foi recebida por Rui Coutinho e Paulo Calçada, que acompanharam a visita e apresentaram aspectos do projeto e de sua proposta de requalificação.
Intercâmbio de experiências para cidades mais sustentáveis
Fundada em 1946, em Amarante, Portugal, por Manuel António da Mota, a Mota-Engil iniciou sua trajetória com atividades ligadas à exploração e à transformação de madeira, expandindo sua atuação para o setor de construção e obras públicas a partir de 1948. Ao longo de sua história, o grupo ampliou presença internacional, consolidando sua atuação no setor de engenharia e construção.
A visita integrou a agenda de intercâmbio técnico e científico do CCD Cidades Carbono Neutro, iniciativa sediada no IPT e financiada pela FAPESP. O centro reúne pequisadores e instituições de diferentes áreas para desenvolver conhecimentos, tecnologias e soluções voltados à descarbonização e à resiliência das cidades.
A experiência no Porto permitiu conhecer uma abordagem de transformação urbana baseada no aproveitamento de estruturas existentes e na atribuição de novas funções a espaços históricos. Essa perspectiva contribui para as discussões sobre desenvolvimento urbano sustentável, especialmente no que diz respeito ao planejamento das cidades, à valorização do patrimônio construído e à busca por alternativas que considerem os recursos já disponíveis.
Ao promover o contato com iniciativas internacionais, a missão amplia as oportunidades de troca de conhecimentos e de identificação de experiências que possam contribuir para os desafios enfrentados pelas cidades brasileiras na transição para modelos urbanos de baixo carbono.


