IPT reforça apoio técnico à Defesa Civil de São Paulo diante dos riscos associados ao El Niño
Publicado em 16/10/2026
Com quase quatro décadas de atuação conjunta, Instituto contribui com mapeamento de áreas de risco, monitoramento geológico e orientação técnica para ações de prevenção e resposta a desastres
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) reforça sua atuação no apoio técnico à Defesa Civil do Estado de São Paulo diante da perspectiva de intensificação dos eventos climáticos associados ao El Niño em 2026 e 2027. A antecipação do Plano de Contingência de Defesa Civil (PCDC), anunciada em encontro técnico realizado em 15 de outubro, amplia o período de preparação para possíveis ocorrências de escorregamentos, enxurradas e inundações durante a estação chuvosa.
Parceiro técnico da Defesa Civil Estadual desde 1988, o IPT contribui com conhecimento científico para identificar áreas vulneráveis, avaliar riscos geológicos e geotécnicos e subsidiar a definição de medidas preventivas e emergenciais.
A colaboração teve início com a elaboração e a implantação pioneira do Plano Preventivo de Defesa Civil e permanece ativa por meio de capacitações, mapeamentos de áreas de risco, vistorias técnicas e atendimentos emergenciais.
Segundo o pesquisador Marcelo Gramani, da unidade Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente (Cima) do IPT, a experiência acumulada demonstra a importância da integração entre ciência e gestão pública para reduzir a exposição da população aos desastres.
“Nosso compromisso é transformar conhecimento geológico em informação para a tomada de decisão, contribuindo para reduzir riscos e proteger vidas e infraestrutura. A prevenção exige planejamento antecipado, conhecimento do território e integração entre as instituições”, afirma.
O pesquisador destaca que o IPT atua como instituição de suporte técnico-científico, enquanto as decisões sobre a adoção das medidas cabem à Defesa Civil Estadual e às autoridades governamentais responsáveis, considerando os cenários previstos, as informações técnicas e a capacidade operacional do Estado.
Antecipação do plano amplia capacidade de prevenção
A antecipação do Plano de Contingência de Defesa Civil busca ampliar o tempo disponível para preparar equipes, mobilizar recursos e fortalecer as medidas de prevenção antes do período de maior intensidade das chuvas.
De acordo com Gramani, a decisão considera a análise conjunta das previsões meteorológicas, dos volumes de chuva registrados, das condições de saturação do solo e das características de risco de cada região.
“Antecipar o plano permite intensificar o monitoramento de áreas sujeitas a escorregamentos, inundações e enxurradas, revisar protocolos de atuação e preparar as defesas civis municipais para responder de maneira mais rápida e coordenada”, explica.
Nas regiões de encostas, por exemplo, o acompanhamento das chuvas acumuladas e das condições geológico-geotécnicas é fundamental para orientar medidas preventivas e, quando necessário, subsidiar decisões sobre a retirada de moradores de áreas de risco.
Além do monitoramento, o pesquisador destaca a necessidade de fortalecer os sistemas de alerta, capacitar equipes municipais, revisar planos de contingência, verificar rotas de fuga e locais de abrigo e ampliar a comunicação com comunidades mais vulneráveis.
Essas ações dependem da articulação entre a Defesa Civil Estadual, os municípios, os órgãos operacionais e as instituições técnico-científicas, como o IPT.

Ciência aplicada à prevenção de desastres
Ao longo de quase quatro décadas de colaboração com a Defesa Civil paulista, o IPT produziu centenas de cartas e estudos técnicos que contribuem para identificar áreas suscetíveis a desastres e orientar o planejamento territorial.
Entre os trabalhos desenvolvidos estão cartas de suscetibilidade a movimentos de massa e inundações, estudos de setorização de áreas de risco e cartas de aptidão à urbanização.
Esses instrumentos permitem reconhecer características do território, identificar locais com maior exposição da população e fornecer subsídios técnicos para a adoção de medidas preventivas.
“O Instituto dispõe de uma base importante de conhecimento técnico para apoiar as ações preventivas e emergenciais. Em um cenário de El Niño muito forte, esse trabalho exige atenção redobrada”, afirma Gramani.
O pesquisador ressalta que a preparação não deve considerar apenas as previsões climáticas de longo prazo, mas também as condições observadas em cada localidade.
“É importante lembrar que o El Niño não determina, isoladamente, quando, onde e quanto vai chover. Por isso, a preparação deve combinar os cenários climáticos de maior prazo com o monitoramento contínuo das condições locais. O objetivo é transformar a previsão em ações concretas, reduzindo a exposição da população e evitando que situações previsíveis se convertam em desastres.”
Essa abordagem está alinhada à preparação estadual para a Operação El Niño 2026–2027, que prevê monitoramento meteorológico diário, emissão de alertas e fortalecimento da atuação integrada dos órgãos públicos.
El Niño exige atenção aos riscos em São Paulo
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar os padrões de circulação atmosférica e influenciar as condições de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.
As projeções para o Brasil indicam contrastes regionais, com possibilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste, além de temperaturas elevadas em grande parte do País.
No Estado de São Paulo, a atenção deve se concentrar especialmente nas áreas de encostas suscetíveis a escorregamentos, nas regiões sujeitas a enxurradas e inundações e nos territórios onde a ocupação humana amplia a exposição aos riscos.
“Um El Niño muito forte pode favorecer episódios de chuvas intensas, elevando o risco de escorregamentos, enxurradas, inundações e alagamentos, especialmente em áreas suscetíveis e urbanizadas”, explica Gramani.
O pesquisador ressalta, porém, que a intensidade do fenômeno não permite determinar, isoladamente, quando e onde ocorrerão eventos extremos.
Por isso, além do acompanhamento das previsões meteorológicas, são fundamentais a observação dos volumes acumulados de chuva, das condições de saturação do solo e da resposta das bacias hidrográficas.
Nesse contexto, o IPT mantém suas equipes mobilizadas para apoiar tecnicamente a Defesa Civil Estadual, realizar avaliações e vistorias quando demandadas e contribuir para a análise das condições geológicas e geotécnicas das áreas ameaçadas.
“Nossas equipes permanecem mobilizadas e de plantão para atender às demandas emergenciais, em articulação com a Defesa Civil Estadual e os demais órgãos responsáveis”, destaca Gramani.
A atuação integra a contribuição do Instituto para o fortalecimento das políticas públicas de prevenção de desastres, colocando o conhecimento científico e tecnológico a serviço da segurança da população e da proteção da infraestrutura paulista.