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IPT mostra que umidade do concreto influencia risco de lascamento em situações de incêndio

Publicado em 07/10/2026

Ensaios realizados no Instituto indicam que concretos com maior teor de umidade podem apresentar danos mais severos quando submetidos a altas temperaturas

A quantidade de água presente no concreto pode influenciar diretamente a intensidade dos lascamentos sofridos pelo material durante um incêndio. É o que mostram ensaios realizados no Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões do IPT, da unidade Habitação e Edificações.

O estudo avaliou amostras de concreto projetado em diferentes condições de saturação. Os resultados mostraram que os corpos de prova saturados apresentaram lascamentos mais severos.

“Isso faz sentido fisicamente porque, quanto maior a quantidade de água presente no concreto, maior o potencial de geração de vapor durante o aquecimento e, consequentemente, de desenvolvimento de pressões internas associadas ao lascamento”, explica o pesquisador Marcos Vinicius Martinez Sylverio.

Segundo o pesquisador, de maneira geral, quanto maior o teor de umidade do concreto, maior pode ser sua suscetibilidade ao fenômeno em uma situação de incêndio. O aquecimento transforma a água presente no material em vapor e eleva as pressões internas.

Em estruturas reais, essa umidade pode ser resultado de infiltrações, falhas de impermeabilização ou drenagem, vazamentos e contato prolongado com a água presente no terreno. A questão é especialmente relevante em obras subterrâneas, como túneis.

Condições reais de segurança

Um dos principais pontos observados pelo estudo é a necessidade de aproximar as condições dos ensaios de laboratório das situações mais críticas que podem ocorrer nas estruturas em uso.

“O risco é que a estrutura real esteja mais úmida do que a condição considerada na avaliação. Por isso, a condição de ensaio deve ser conservadora e representar uma situação crítica”, afirma Sylverio.

Segundo ele, esse cuidado reduz o risco de uma solução apresentar desempenho satisfatório em laboratório, mas encontrar na obra uma condição de umidade mais severa do que aquela considerada nos testes, resultando em lascamentos mais intensos e, consequentemente, maior risco para a integridade da estrutura.

A prevenção envolve tanto o controle de infiltrações e da umidade nas construções quanto a avaliação prévia do comportamento do concreto por meio de ensaios de resistência ao fogo.

No estudo realizado pelo IPT, os pesquisadores propuseram a condição saturada como referência para esse tipo de avaliação.

Em um dos casos analisados, utilizando concreto com 0,6 kg/m³ de microfibras de polipropileno, a profundidade dos lascamentos passou de aproximadamente 10 a 15 milímetros no concreto não saturado para valores entre 35 e 80 milímetros no concreto saturado.

“O resultado reforça que a condição de umidade não deve ser tratada como um detalhe do ensaio. Propusemos a condição saturada como referência justamente por representar uma situação crítica para a avaliação da segurança. Além disso, é uma condição relativamente simples de reproduzir em laboratório, o que favorece a padronização dos ensaios”, explica Sylverio.

Os resultados contribuem para aprimorar a avaliação do desempenho de estruturas de concreto expostas ao fogo e ajudam a estabelecer condições de ensaio mais representativas e conservadoras, ampliando a segurança de obras de infraestrutura.

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