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IPT lança HUB ESG para conectar empresas, academia e setor público em projetos de sustentabilidade

Publicado em 21/09/2026

Iniciativa reúne instituições de diferentes setores para desenvolver soluções tecnológicas, compartilhar conhecimento e ampliar a colaboração em torno dos desafios ambientais, sociais e de governança

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) lançou, nesta segunda-feira (21), o HUB ESG, iniciativa que busca conectar empresas, instituições de pesquisa, academia e setor público para o desenvolvimento de projetos voltados à sustentabilidade, à inovação e às práticas de governança.

O lançamento reuniu representantes de instituições como Tupy, Google, Inteli, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Instituto Butantan, Electrolux e consultoria Orizon. A proposta é estabelecer um ambiente de colaboração intersetorial, capaz de transformar conhecimento científico e tecnológico em soluções para os desafios da sociedade e do setor produtivo.

Na abertura do evento, o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, destacou a contribuição do Instituto para a agenda ESG e a importância de mensurar os resultados das iniciativas desenvolvidas.

“O que fazemos é ESG, mas isso não era medido antes. Seu impacto alcança parcela importante de nossos projetos, chegando hoje a 42% do total. O IPT tem capacitação para apoiar empresas e o setor público nesta área”, afirmou.

Para Ricardo Costa, gerente de Risco Ambiental, Social e Governança do IPT, o HUB estará aberto à participação de empresas de diferentes setores, com o objetivo de estimular o desenvolvimento conjunto de projetos de sustentabilidade.

“Desenvolveremos projetos de sustentabilidade com empresas que se unam pelo bem comum, compartilhando conhecimento conectado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, explicou.

Segundo Costa, a iniciativa pretende estabelecer pontes entre atores públicos e privados, promovendo a troca de experiências, o desenvolvimento de soluções tecnológicas e o aprimoramento dos indicadores ESG.

Indústria, regulação e ciência na transição sustentável

O primeiro painel do evento, intitulado “Transição Sustentável: Indústria, Regulação e Ciência”, reuniu representantes do setor produtivo, do poder público e da pesquisa aplicada para discutir os desafios da transição para uma economia de baixo carbono.

Mediado pelo pesquisador Leandro de Freitas, do Núcleo de Sustentabilidade e Baixo Carbono (Nuscarbon) do IPT, o debate contou com a participação de Anderson Correia; Enio Mathias Ferreira, da Tupy; e Maria Fernanda Garcia, da Cetesb.

Maria Fernanda destacou a atuação da Cetesb no desenvolvimento de práticas ambientais e no incentivo à adoção de novas tecnologias sustentáveis. Segundo ela, a inovação, a transparência dos dados ambientais e o apoio à regulação são fundamentais para o avanço da sustentabilidade no Estado de São Paulo.

A representante também ressaltou a trajetória de 58 anos da Cetesb e o papel da instituição na articulação entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e responsabilidade corporativa.

Enio Ferreira apresentou a experiência da Tupy, empresa fundada em 1938 no setor de fundição, com operações em Joinville, Betim e São Paulo, além de presença internacional em países como Estados Unidos, Alemanha e Holanda.

O representante destacou três frentes da estratégia de sustentabilidade da companhia: qualidade dos produtos e geração de valor para os clientes; fabricação de motores, ampliada com a aquisição da MWM, que atende a 48 países e está sujeita a diferentes exigências regulatórias; e desenvolvimento de tecnologias para a transição energética.

Entre as iniciativas apresentadas estão a produção de geradores, soluções relacionadas ao biometano e ao biogás e o desenvolvimento do primeiro trator movido a etanol no país.

“A indústria deverá acelerar a transição para uma economia de baixo carbono sem perder competitividade e qualidade de vida. O IPT é um grande parceiro nestas rotas”, afirmou.

Anderson Correia destacou o papel das instituições de pesquisa no desenvolvimento e na viabilização de novas tecnologias para a transição energética. Como exemplo, apresentou a atuação do IPT na pesquisa e na produção de hidrogênio, especialmente para aplicações no transporte de cargas.

“O IPT implementou uma planta para produção de hidrogênio e já recebi críticas de que a tecnologia não é viável. Assim como também foram julgados o pré-sal em 2006 e o etanol nos anos 1970. As pesquisas viabilizaram essas fontes e o IPT também teve suas participações nelas”, afirmou.

O diretor-presidente explicou que o Instituto estuda diferentes rotas de produção de hidrogênio em parceria com empresas, com atenção especial às possibilidades de aplicação da tecnologia na movimentação de caminhões de carga.

“É fundamental orquestrar as instituições de pesquisa, indústria e governos. Ninguém muda a matriz energética nacional sozinho”, concluiu.

Dados e inovação para transformar compromissos em resultados

O segundo painel, “Tecnologia e Transformação: Dados, Inovação e Sustentabilidade”, abordou o papel da tecnologia, da inteligência artificial e da colaboração entre organizações na implementação de práticas sustentáveis.

Mediado por Valesca Mantega, do IPT, o debate reuniu João Zeni, da Electrolux; Juliana Bueno, do Google; e Bruno Catan, da consultoria Orizon.

João Zeni apresentou a experiência da Electrolux, empresa com atuação em 120 países, na adoção de estratégias de sustentabilidade fundamentadas em dados e evidências científicas.

Segundo o representante, 85% do impacto dos produtos da companhia ocorre durante a fase de uso, especialmente em razão do consumo de energia. Por isso, o desenvolvimento de produtos mais eficientes é uma das prioridades da empresa.

Zeni também destacou a importância da economia circular, da reparabilidade e do aumento da durabilidade dos produtos, além da logística reversa como alternativa para ampliar o reaproveitamento de matérias-primas e reduzir a geração de resíduos.

Nesse contexto, o design desempenha papel central na concepção de produtos sustentáveis e na viabilidade econômica das soluções em escala.

Bruno Catan, da Orizon, abordou os desafios enfrentados pelas empresas para transformar compromissos de sustentabilidade em ações concretas. Para ele, o alinhamento entre diferentes áreas e organizações é fundamental para ampliar a execução de projetos.

O representante destacou o papel estratégico do HUB ESG como ambiente de colaboração e compartilhamento de experiências, especialmente diante do caráter transversal da sustentabilidade nas organizações.

Como exemplo da aplicação de tecnologia à gestão ambiental, apresentou o caso de uma empresa do setor lácteo que registrava perdas diárias de leite em razão de falhas nos processos de medição.

A adoção de tecnologia alemã permitiu gerar indicadores mais confiáveis sobre as perdas, considerando tanto o desperdício do produto quanto os custos associados ao tratamento da matéria-prima descartada como efluente.

Juliana Bueno, do Google, ressaltou a importância da colaboração entre organizações para o desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de gerar benefícios para os clientes, a sociedade e o meio ambiente.

Segundo ela, mesmo com o avanço da inteligência artificial, a atuação conjunta entre diferentes instituições permanece indispensável.

A representante apresentou os eixos de atuação da empresa relacionados à sustentabilidade, que incluem tecnologia e produtos, parcerias, filantropia e investimentos.

HUB ESG: colaboração para ampliar o impacto da sustentabilidade

O terceiro painel, “Expectativas e Realizações: Quais as Contribuições do HUB do IPT para o Brasil?”, reuniu os participantes dos debates anteriores para identificar oportunidades de atuação conjunta e possíveis contribuições da iniciativa para o desenvolvimento sustentável.

Com mediação de Ricardo Costa, cada participante apresentou, em uma frase, sua expectativa em relação ao HUB ESG.

João Zeni, da Electrolux, destacou a importância de incorporar o olhar da pesquisa científica, promover a colaboração intersetorial, gerar parcerias técnicas e levar demandas comuns aos governos.

Bruno Catan, da Orizon, apontou o potencial do HUB como facilitador da disseminação de boas práticas de sustentabilidade.

Juliana Bueno, do Google, ressaltou a oportunidade de conectar tendências e práticas por meio da inteligência artificial, promovendo uma discussão coletiva e responsável sobre o tema.

Maria Fernanda Garcia, da Cetesb, destacou a importância da implementação de dados de sustentabilidade para subsidiar a formulação de políticas públicas.

Enio Ferreira, da Tupy, apontou o potencial do HUB como catalisador de soluções para o setor produtivo diante dos desafios da sustentabilidade.

Anderson Correia, por sua vez, destacou a troca de experiências e a produção de conhecimento técnico como contribuições do Instituto para a iniciativa.

“Trocar experiências e trazer iniciativas no formato de relatórios técnicos, por exemplo, gerando boas práticas para a sociedade”, afirmou.

Cooperação para o desenvolvimento de soluções sustentáveis

Ao final do evento, os participantes dos painéis assinaram o Termo de Participação e Cooperação do HUB ESG do IPT, formalizando compromissos relacionados à iniciativa.

A criação do HUB estabelece um ambiente de articulação entre ciência, indústria, academia e poder público, com foco no compartilhamento de conhecimento, no desenvolvimento de projetos colaborativos e na aplicação de tecnologias voltadas à sustentabilidade.

Com a iniciativa, o IPT amplia sua atuação na agenda ESG e busca contribuir para que os desafios ambientais, sociais e de governança sejam traduzidos em projetos, indicadores e soluções aplicadas ao setor produtivo e à sociedade.