IPT destaca parceria histórica com a Defesa Civil durante celebração dos 95 anos da Casa Militar de São Paulo
Publicado em 08/10/2026
Cooperação técnica entre as instituições contribui há décadas para a prevenção de desastres, a gestão de riscos e a proteção da população paulista

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) participou, nesta quinta-feira (8), da solenidade em comemoração aos 95 anos da Casa Militar do Governo do Estado de São Paulo, realizada no Palácio dos Bandeirantes. A cerimônia foi presidida pelo vice-governador Felício Ramuth e reuniu representantes de instituições parceiras.
O IPT foi representado por Anderson Correia e Fabiano Moraes. A presença do Instituto reforça uma trajetória de cooperação técnica com a Casa Militar, por meio da Defesa Civil do Estado de São Paulo, iniciada na década de 1970 e consolidada em projetos voltados à prevenção de desastres, ao monitoramento de áreas de risco e ao apoio às ações de proteção da população.
Para Anderson Correia, a parceria demonstra a importância da integração entre conhecimento científico, engenharia aplicada e atuação governamental na resposta aos desafios do Estado.
“Participar da celebração dos 95 anos da Casa Militar, representando uma instituição com 127 anos de história, evidencia a trajetória e a contribuição dessas duas instituições para São Paulo. O IPT oferece conhecimento técnico e científico em engenharia aplicada e estudos do meio físico, enquanto a Defesa Civil atua na coordenação operacional e no atendimento às demandas do Estado. É um orgulho representar os pesquisadores, pesquisadoras e técnicos do Instituto que, por meio dessa parceria, contribuem diretamente para a segurança e a proteção da população”, destacou.
Ciência aplicada à prevenção de desastres
A cooperação entre o IPT e a Casa Militar, à qual está vinculada a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC), reúne competências em geologia aplicada, geotecnia e engenharia para a identificação de áreas vulneráveis, a prevenção de desastres e a gestão de riscos ambientais.
Embora a parceria institucional tenha se consolidado a partir da década de 1970, a atuação do IPT no atendimento a ocorrências geológicas é anterior à própria estruturação da Defesa Civil paulista.

Segundo o pesquisador Marcelo Gramani, da unidade Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente (Cima) do IPT, o primeiro atendimento de emergência documentado e divulgado foi realizado por equipes do Instituto em decorrência de escorregamentos em áreas urbanas ocorreu em 1956, nos morros de Santos.
“Naquela época, a Defesa Civil ainda não havia sido organizada”, lembra o pesquisador.
Desde então, o conhecimento técnico produzido pelo Instituto tem contribuído para o desenvolvimento de metodologias de avaliação de riscos, elaboração de cartas geotécnicas, planos preventivos e atendimento a emergências associadas a eventos climáticos extremos.
Essa atuação permite transformar estudos científicos e diagnósticos técnicos em informações que apoiam o planejamento territorial, a tomada de decisões pelos órgãos públicos e a adoção de medidas para reduzir riscos à população.
Uma parceria construída ao longo de cinco décadas
A trajetória de cooperação entre o IPT e a Defesa Civil paulista reúne avanços técnicos, desenvolvimento de metodologias e participação em operações de resposta a desastres em diferentes regiões do Brasil.
Décadas de 1970 e 1980 | Origens da cooperação geotécnica
- Década de 1970: Com a expansão urbana na Região Metropolitana de São Paulo e na Serra do Mar, o IPT intensificou sua atuação no mapeamento de encostas e na análise de escorregamentos.
- 1976: Criação da Defesa Civil do Estado de São Paulo no âmbito da Casa Militar. O IPT consolida sua atuação como referência técnica e científica no apoio ao diagnóstico de acidentes geológicos.
- 1979: Entrega da primeira carta geotécnica do país à Casa Militar do Estado de São Paulo, referente aos morros de Santos e São Vicente.
- 1985: Identificação de setores de risco nas proximidades do Polo Industrial de Cubatão e desenvolvimento do primeiro plano de contingência voltado às indústrias da região.
Década de 1990 | Desenvolvimento de metodologias de prevenção
- 1990: Desenvolvimento do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC) para escorregamentos na Serra do Mar, com protocolos técnicos para o acionamento de alertas em períodos de chuvas intensas.
Década de 2000 | Ampliação dos mapeamentos de risco
- 2004 a 2007: Em parceria com o Ministério das Cidades e a Casa Militar, o IPT participa da elaboração de diretrizes nacionais para o mapeamento de áreas de alto e muito alto risco de deslizamentos e inundações.
- 2007: Desenvolvimento do modelo de setorização e cartografia de risco, com classificação em quatro níveis (R1 a R4), em conjunto com o Ministério das Cidades. A metodologia passa a orientar a atuação municipal da Defesa Civil.
- 2008: Participação do IPT em uma das maiores operações de atendimento a desastres em Santa Catarina, coordenada pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros.
- 2009: Formalização de convênios entre a Casa Militar, a Defesa Civil e o IPT para a elaboração de cartas de suscetibilidade e mapeamentos de risco geológico em municípios prioritários do Estado de São Paulo.
Década de 2010 | Fortalecimento da atuação integrada
- 2011: Criação do Centro de Tecnologias Geoambientais (CTGeo) no IPT, ampliando a capacidade de atendimento técnico a emergências e às solicitações da Casa Militar.
- 2014: Ampliação dos Planos Municipais de Redução de Riscos (PMRR), contratados por meio da Casa Militar e executados pelo IPT em apoio às prefeituras paulistas.
- 2019: Publicação do Decreto Estadual nº 64.592/2019, que reorganizou o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil, contexto em que o apoio científico do IPT permanece como componente estratégico da cooperação institucional.
2020 a 2026 | Resposta a eventos extremos e novas tecnologias
- 2021 a 2023: Atuação conjunta em episódios de desastres associados a chuvas intensas, incluindo ocorrências na Baixada Santista, em 2021, e no Litoral Norte paulista, em 2023. O IPT contribuiu com avaliações técnicas e mapeamentos de encostas para subsidiar as operações de resposta.
- 2024: Participação de equipes do IPT, em conjunto com a CEPDEC, nas operações de apoio e atendimento às emergências decorrentes das enchentes no Rio Grande do Sul, um dos maiores desastres climáticos registrados no país.
- 2024 a 2026: Formalização e aditamento de contratos e acordos de cooperação técnica com a Casa Militar, incluindo iniciativas vinculadas ao programa Percebendo o Risco. As ações contemplam a elaboração de Planos Municipais de Redução de Riscos (PMRR) e o desenvolvimento de ferramentas geotecnológicas voltadas ao monitoramento contínuo.
Ao longo dessa trajetória, a parceria entre o IPT e a Defesa Civil demonstra a contribuição da ciência aplicada para o enfrentamento de desafios ambientais e urbanos. A integração entre conhecimento técnico e gestão pública fortalece a capacidade de prevenção, planejamento e resposta a situações de risco, com resultados diretamente relacionados à segurança da população.